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Crítica do filme: 'O Som do Silêncio' (Sound of Metal)


O som é um mero detalhe quando encontramos um novo sentido em nossas vidas. Uma das gratas surpresas desse ano tão louco em nossas vidas sem dúvidas é esse fenomenal trabalho dirigido pelo estreante em longas-metragens Darius Marder. O Som do Silêncio (Sound of Metal, no original) é um angustiante drama sobre o silêncio que precede o esporro. Contando a vida de um baterista que descobre que está ficando surdo, seu mundo novo, descobertas, uma nova linguagem, somos testemunhas da importância dos inquietantes barulhos da alma. Uma atuação arrebatadora e emocionante do ator Riz Ahmed (concorrente fortíssimo à muitas premiações), além dos ótimos Olivia Cooke e Paul Raci. Com a chance de filmes de streaming concorrerem ao próximo Oscar, Sound of Metal merece algumas vagas em algumas categorias.


Na trama, conhecemos Rubem (Riz Ahmed), um baterista de um dueto que roda os Estados Unidos à bordo de um trailer fazendo turnês, uma espécie de vida cigana do rock. Ele é um ex-dependente químico que está a quatro anos limpo e quatro anos juntos de Lou (Olivia Cooke), sua namorada e vocalista do dueto. Certo dia, durante um show, percebe que sua audição não está muito boa e resolve procurar um especialista que o avisa que ele ficará surdo em breve. Precisando reformular toda sua vida, seu relacionamento com a namorada, ele resolve se juntar a um grupo para surdos, chefiado por Joe (Paul Raci) em busca de aprender como viver nessa nova situação de vida.


O roteiro navega de maneira intensa por todas as fases que Rubem passa: da descoberta da deficiência, à constatação, o desespero, nos novos planos do que fazer com sua vida. Há uma constante e emocionante tentativa de controle da mente para se entender a situação. Essa fase inicial é muito difícil e acompanhamos a fundo todos os bons e péssimos dias do protagonista.  Tudo se encaixa perfeitamente no roteiro, os arcos são equilibrados com grande dose de intensidade. O ritmo do filme não é frenético mas mostra sua força com uma câmera inquietante de Marder que parece querer nos detalhar cada milímetro de sofrimento que o protagonista, no fruto de seus conflitos, passa.  


Não há como negar, Sound of Metal tem a cara do Oscar. Com três grandes atuações, o filme é uma grande busca de um homem para conseguir viver uma nova vida que nunca imaginou mas que o mostra um novo universo igual ou tão bom aquele que ele vivia. Belíssimo trabalho.

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