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Crítica do filme: 'Parece Bastante Paris' [Festival de Cinema Italiano 2024]


As alegrias de uma falsa verdade. Uma criativa viagem de mentirinha para cumprir o último desejo do pai é a base da história do longa-metragem Parece Bastante Paris, selecionado para o Festival de Cinema Italiano 2024. Nessa comédia com leves pitadas dramáticas, baseada em partes numa história real que aconteceu em 1982 na Toscana, acompanhamos desabafos de parentes afastados envolvidos por um só objetivo.

Na trama conhecemos três irmãos afastados que se reencontram num momento delicado. O pai vai parar no hospital e lá ficam sabendo da condição dele. Mesmo com as desavenças que o passado deixou, resolvem realizar o último desejo dele: visitar Paris. Só que pela condição do pai, optam por criar uma viagem fictícia, rodando numa van por uma região que conhecem e assim recriando o trajeto para a capital da França.

Quem nunca viu em um filme uma história sobre família e seus problemas? Seguindo na linha do convencional da maioria das tramas que abordam o tema, o projeto busca o riso a todos instante. A partir de um tema beirando ao fúnebre o roteiro opta pela alegria ao encontrar um gancho na criatividade da premissa como força motora.

Memórias antigas e desabafos do presente se tornam o fôlego para a narrativa preencher - com exageros - lacunas para reflexões. Com as peças avançando em trocas sobre os próprios presentes, o drama chega por meio das frustrações, dos segredos, da intimidade, gotas num oceano envolvida pelo inusitado.

A vida e suas variáveis de aflições logo se tornam elementos importantes e contornam parte desse recorte que ruma ao intimista. Parece bastante Paris é um filme na linha do trivial, onde todos não se dão bem mas saem felizes dessa jornada. Nos filmes e suas infinitas possibilidades, essa sempre é uma delas.


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