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Crítica do filme: 'Procissão' [Mostra de Cinema de Fama]


Um dos filmes mais interessantes da Mostra de Cinema de Fama 2025, o curta-metragem cearense Procissão, é uma viagem hipnotizante rumo à construção de identidades fazendo refletir através de jornadas atemporais de vidas que se entrelaçam pela fé. Contemplativo, deixando margens pra imaginação e caminhos para suas interpretações, atravessa a criatividade com seu discurso certeiro aplicado a uma narrativa que preza pela sincronia visual impressionante - que causa impacto.

A reunião de elementos, e suas inter-relações, juntamente com traços marcantes de técnicas de animação impecáveis em sua reprodução na tela se agrupam para contar um amplo contexto, dentro de um recorte plural. De marchas de caráter comemorativo, chegamos até formações de cidades, de bolhas que encontram seus pontos em comum. Tudo isso feito com um ritmo dosado que deixa nosso pensar borbulhando de opções para embarcar no que assistimos.  

Com figuras caracterizando personagens – e todos tendo função como um todo - andando em direção a contar uma história sobre devoção e formações sociais que moldam regiões, o projeto nos leva em 16 minutos a pensar sobre a religiosidade com uma lupa social acoplada. Impressiona também como o tempo se torna um trunfo da narrativa, que explora o começo, meio e fim de ciclos, esse último através das memórias.

O artista visual e animador Álisson Pereira Flor é o responsável por esse curta-metragem criativo, nada pretencioso, que se coloca num papel inteligente de observador dos laços criados através da religiosidade popular. A fé, os encontros, as memórias, são colocados num liquidificador sociológico se tornando um filme com ótimos pontos para debate.   

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