Por que estamos vivos? Existe algum momento para se entregar? Lançando a todo instante perguntas existenciais e desabafos em formas de reflexões, hipnotizando o público com palavras carregadas de múltiplos sentidos, o curta-metragem A arte de morrer ou Marta Díptero Braquícero, adaptado de um conto de Bruno Ribeiro, apresenta de maneira criativa suas fascinantes estranhezas e abre um convite para que os espectadores reflitam sobre a vida e a morte.
Um cliente (Luiz
Carlos Vasconcelos) divaga sobre a antítese mais famosa de todo ciclo
vital. Logo, se junta a ele uma garçonete (Ingrid
Trigueiro), e assim os dois conversam sobre questões da existência após uma
mosca se entregar à morte num prato de bife com batata frita - episódio que
chama a atenção de um dos personagens, esse também narrador, que quebra a quarta
parede nos envolvendo em pensamentos antes distantes, mas que ganham vida
quando o marasmo da existência desperta a necessidade de contemplações.
Um cenário, uma fotografia deslumbrante – que provoca uma
experiência expressiva, sem distrações - e palavras que envolvem. Com muito
pouco, mas com uma criatividade cinematográfica que amplia todo o contexto, chegamos
rapidamente às indagações provocadas pelas ações da natureza, pela
sobrevivência e como tudo isso influencia o nosso redor. Escrito e dirigido por
Rodolpho de Barros, A arte de morrer ou
Marta Díptero Braquícero é uma pequena obra-prima que vai causar impacto
onde quer que seja exibido.
É impressionante como esse projeto fica na gente, muito além
dos seus curtos 14 minutos de projeção. Com várias portas que se abrem para
pensarmos sobre o que vemos, o que salta aos olhos são aqueles momentos de
reflexões quando estamos sozinhos - pensamentos distantes que só aparecem
quando acessamos o inconsciente, nos levando a prender nosso foco para questões
que afligem e nos fazem considerar sobre o real peso do mundo. Filmaço!
