09/07/2016

Crítica do filme: 'King Jack'

Na adolescência tudo parece o fim do mundo, mas é apenas o começo. Debutando em longas metragens o cineasta Felix Thompson (que dirige e escreve o projeto) consegue realizar um trabalho muito consistente que fala sobre tempos difíceis de um jovem que vive lutando intensamente e diariamente contra seus instintos adolescentes praticamente sem referências. Com competente atuação de seu protagonista Charlie Plummer, King Jack é o que podemos falar de pequena obra com muito valor, aquela raridade que nós cinéfilos adoramos encontrar.

Na trama, conhecemos o jovem meio rebelde chamado Jack (Charlie Plummer), um garoto de 15 anos que mora em uma cidade pequenina onde consegue em pouco tempo arranjar confusão para todos os lados. Quando sua tia distante fica doente, seu primo acaba indo morar com Jack, sua mãe e seu irmão mais velho. Aos poucos uma grande amizade vai surgindo e Jack vai começar a descobrir a importância da família em sua vida.

Há muitos pontos a se analisar nesta pequena grande obra. A relação do protagonista com sua família é caótica, daí a consequência de uma personalidade fragilizada por impulsos juvenis, raiva, dor e sem nenhum perspectiva. Sua mãe parece não se importar com ele e seu irmão mais velho parece ser aquele típico irmão mais velho de filmes norte-americanos dos anos 90. Quando começa a descobrir o amor, é rejeitado e traído. A única pessoa que parece oferecer algum tipo de esperança é uma amiga (rejeitada por ele) que sempre está por perto nos momentos mais difíceis que enfrenta. Com a chegada do primo, o personagem principal começa a amadurecer forçadamente. Valores que nunca existiram para ele começam a aparecer em sua frente, principalmente o da amizade. Viver em um universo limitado e sem referências fizeram com que Jack buscasse outros sentimentos para se sentir mais forte.


A única coisa que deixa nós cinéfilos tristes é que esse filmaço indie muito provavelmente não entrará em cartaz nos cinemas brasileiros, talvez por falta de espaço, talvez por falta de percepção das distribuidoras. Mas fica aqui a dica deste belo olhar sobre o rito de passagem da adolescência para a juventude em um universo não muito distante de todos nós. 
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03/07/2016

Crítica do filme: 'Maestro'



A beleza essencial pode estar na sutileza, no subliminar. Dirigido pela atriz e diretora suíça Léa Fazer, Maestro é uma daquelas pequenas obras-primas que achamos no baú empoeirado do mundo mágico da sétima arte. Quase sem possibilidade de exibição nos cinemas brasileiros, o filme é um ato poético sobre o descobrimento do saber usando a estrada do cinema de arte. Ao longo dos curtinhos 81 minutos, somos testemunhas de metáforas filmadas e gestos muitos simples de sabedoria sobre a arte do viver.

Na trama, conhecemos o caricato e jovem ator Henri (Pio Marmaï), que sonha em trabalhar algum dia nos blockbusters hollywoodianos mesmo não conseguindo se estabelecer ainda como ator. Certo dia, parece que sua sorte muda quando recebe a chance de trabalhar um filme do conhecido cineasta Cédric Ròvere (Michael Lonsdale), uma referência do Cinema de arte. No set de filmagens, quase um peixe fora d’água, acaba se apaixonando por Gloria (interpretada pela bela atriz belga Déborah François) e descobrindo com boas intenções o ar da intelectualidade e suas simplicidades de entender melhor a vida. 

O projeto tem vários pontos positivos para destacarmos. Um deles, a relação Mestre X Aprendiz que o filme disseca de forma objetiva e deixa várias lacunas para completarmos com nosso imaginário. Muitas dessas lacunas, inclusive, são preenchidas quando na subida dos créditos somos informados que o filme é parte baseado em uma história real que aconteceu com o consagrado diretor francês Éric Rohmer  no set de seu último filme O Amor de Astrée e Céladon. Outro fator importante é a modelagem/construção do que é o surgimento do amor aos olhos do protagonista. Com tanta transformação que o personagem principal passa em pouco tempo, a ingenuidade e simplicidade acabam se tornando elementos de interseção de todo o processo.

Com convincentes atuações, sem almejar nada mais do que ser uma boa história filmada, Maetro é um filme simplesmente complexo em sua maneira de enxergar o mundo mas bem trivial na maneira de tocar nossos corações sonhadores. Uma pequena obra-prima, se tiver a chance de conferir, não perde não :)
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Crítica do filme: 'Como eu era antes de Você'



Baseado no livro de sucesso da escritora britânica Jojo Moyes, o drama Como eu era antes de Você é um daqueles filmes que tentam, a cada segundo de projeção, fisgar nossos corações e mexer com muitas emoções profundas.  Dirigido pela debutante em longas metragens Thea Sharrock, o projeto tem boas coisas, como a atuação emocionante de Emilia Clarke (a Daenerys Targaryen de Game of Thrones) e a sutileza de muitas cenas difíceis. Mas como nem tudo são flores, há um excesso de açúcar demais em algumas sequências o que perde um pouco da intensidade que o filme poderia ter. 

Na trama, conhecemos Will Traynor (Sam Claflin), um jovem que tinha tudo mas que após um infeliz acidente envolvendo uma motocicleta perdeu quase todos os movimentos de seu corpo. Vivendo em um lugar lindo, vigiado a todo instante por sua protetora mãe Camilla (Janet McTeer), Will precisa de uma nova assistente para ajudá-lo com as rotinas básicas diárias. Assim, surge na vida dele a impactante e delicada Lou (Emilia Clarke), uma jovem que abandonou a faculdade para poder ajudar seus pais e que em poucos meses vai mudar pra sempre a rotina da família Traynor. 

Se muita gente curtir o filme, muito se deve a atuação da estonteante Emilia Clarke. Sua Lou é o sonho de qualquer sogra: um sorriso impactante, uma energia profundamente positiva, um ar de ingenuidade misturado com uma garra que só se encontra em pessoas especiais. Praticamente desfilando em uma passarela imaginária (a dos sonhadores), seu figurino certamente será bastante lembrado, Lou traz ao outro protagonista uma dose inesquecível de esperança mesmo que essa já tenha tido seu prazo esgotado. É um rasteiro paralelo com a fé nossa de cada dia personificada em uma pessoa com as mais sinceras intenções. 

Mas aí, entra a questão dos açúcares mencionados na introdução. Para transformar essa trama em um filme, abusaram da melosidade. Não era preciso. A força da história está certamente na simplicidade de sua protagonista, por mais que o raio-x de qualidades e defeitos tenha sido feito com muita maestria, o roteiro acaba entrando em uma espécie de licença poética e adiciona demais em cenas que precisavam de elementos simples para criar o tal do boom da emoção inesquecível. Como eu era antes de Você perdeu a chance de ser lembrado e entrar em uma galeria cinéfila ao lado de PS Eu te Amo e Questão de Tempo.
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26/06/2016

Crítica do filme: 'Uma Repórter em Apuros'



Quem sabe, muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe. O negócio é apurar. Dirigido pela dupla Glenn Ficarra e John Requa (ambos diretores do fraquíssimo Golpe Duplo), Uma Repórter em Apuros é baseado no livro The Taliban Shuffle, de Kim Barker. Até agora não dá pra saber se eles queriam fazer uma comédia meio sem noção, um drama cômico ou algo parecido com isso. O importante é que o filme tem uma consistência, tanto em roteiro quanto em direção e atuações que transformam esse projeto em uma grata surpresa. Óbvio que a ideia a princípio era aproveitar a veia cômica de Tina Fey (protagonista do filme) mas ao longo da projeção, que fala sobre um tema bem polêmico na área política norte americana, o filme ganha contornos emocionantes. 

Na trama, conhecemos a solitária Kim Baker (Tina Fey), uma editora que nunca teve nas frentes das câmeras e na necessidade de sua emissora de enviar alguém para cobrir a guerra no Afeganistão, acaba topando o desafio e embarca com sua chamativa mala para frente do conflito. Chegando lá, enfrenta muitas dificuldades que vão do alojamento precário da imprensa até um certo tipo de preconceito por ser uma das poucas mulheres cobrindo esse conflito. Mas aos poucos, Kim vai mostrando seu valor e conseguindo histórias muito interessantes que cercam esse conflito. 

Em um lugar onde até pessoas experiências tomam decisões erradas, Kim embarca em sua jornada tendo sempre como guarda costas Fahim Ahmadzai. Assim, o filme vai navegando em assuntos complicados como a relação da imprensa com personagens da zona de conflito, histórias emocionantes de militares norte americanos e a própria relação entre os repórteres de muitos países cada um mostrando ao seu público sua visão da guerra. Os diálogos entre os repórteres são excelentes. Contornam a trajetória de Kim, a jornalista Tanya Vanderpoel (interpretada pela beldade Margot Robbie), o hilário fotógrafo escocês Iain MacKelpie (Martin Freeman, em uma atuação pra lá de especial) e um caricato influente da região Ali Massoud Sadiq (Alfred Molina em uma de suas melhores atuações dos últimos tempos). 

Seria um absurdo dizer que o filme pega leve com o tema proposto. Tenta sair da superfície em diversos momentos, a protagonista tem muita empatia e isso ajuda muito. Quando o longa começa, parece que vamos ver um Borat de saias ou algo tipo mas aos poucos as peças vão se encaixando e a solidez do roteiro vira um alicerce importante para que o ritmo da trama não se perca. Uma Repórter em Apuros deve estrear em breve nos cinemas brasileiros e vale a pena dar uma conferida.
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Crítica do filme: 'X-Men: Apocalipse'



A amizade destaca a confiança, união de pensamentos e a esperança. Dirigido pelo nova iorquino Bryan Singer, o mesmo que dirigiu o filme anterior da sequência (X-Men: Dias de um Futuro Esquecido), X-Men: Apocalipse é um daqueles filmes de transição de uma grande história. Protagonizado mais uma vez por Jennifer Lawrence e companhia, a Equipe comandada pelo emblemático Professor Xavier (James McAvoy) mais uma vez volta a campo para lutar pelo bem estar na terra. O foco da trama é a ação. Nesse quesito, Singer comanda um show a parte. As cenas conseguem destacar todos os mutantes igualmente e todo mundo tem a chance de mostrar para o espectador seus poderes. 

Ambientado na década de 80, e contando um ponto mais profundamente a origem dos conhecidos mutantes do bem comandados pelo mestre cerebral Charles Xavier, X-Men: Apocalipse se passa alguns meses após os acontecimentos do último filme da franquia X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Com a chegada de Kurt Wagner (Kodi Smit-McPhee, do remake Deixe-me Entrar- 2010) como Noturno, Scott Summers, o Cyclop (Tye Sheridan) e o retorno de Mística (Jennifer Lawrence) os comandados de Xavier dessa vez precisarão enfrentar o poderoso Apocalipse (Oscar Isaac) e seus poderosos mutantes recrutas com destaques para o velho conhecido Erik Lehnsherr, o Magneto (Michael Fassbender) e a jovem Tempestade (Alexandra Shipp). 

Um dos pontos centrais da trama gira um pouco em torno da jovem Jean Grey, seu desenvolvimento e aperfeiçoamento dos poderes, até certo ponto, de maneira superficial é fundamental para as principais ações dentro da história, quando pensamos em elo. A jovem atriz britânica Sophie Turner, a Sansa Stark do seriado Game of Thrones, ganhou o papel para interpretar essa jovem mutante. Mais uma vez, Wolverine (Hugh Jackman) aparece de relâmpago e rouba todas as atenções em poucos minutos. O vilão, interpretado por Oscar Isaac, pouco adiciona e nem de longe é interessante o bastante para ter alguma relevância em nossa memória cinéfila. A cena que rouba completamente a atenção do pública é o resgate heroico de Noturno (Evan Peters), filho de Magneto. Essa sequência vale o ingresso. 

A questão política envolvendo os aparecimentos dos mutantes e o convívio dos mesmos com os humanos é feita de maneira bem na superfície, talvez pelo roteiro não conseguir ter força nesse sentido ou algum personagem nessa subtrama da história conseguir se destacar. Os meros esforços da história é tentar, dentro desse contexto, criar algum elo entre a ira e preconceito sofrido por Magneto. 

X-Men: Apocalipse não é nem de longe um dos melhores de super heróis feitos nos últimos anos mas possui uma trama em alguns momentos interessantes e boas cenas de ação.
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25/06/2016

Crítica do filme: 'Demolição (Demolition)'

Quase sempre é preciso um golpe de loucura para se construir um destino. Dirigido pelo ótimo cineasta canadense Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas, Livre) e com um excepcional roteiro escrito por Bryan Sipe, Demolição (Demolition) é com certeza uma das gratas surpresas deste ano. Falando sobre a solidão e a perda, o longa metragem estrelado pelo excelente ator Jake Gyllenhaal não deixa de ser uma viagem nas nossas emoções mais profundas e uma lição de que a vida é uma eterna caixinhas de surpresas. A trilha sonora é arrepiante, os arcos do roteiro são milimetricamente bem executados e nada, absolutamente nada é, deixado na superfície, as emoções acabam ganhando forma concretas em forma de metáforas que nos fazem refletir a cada cena.

Na trama, conhecemos o banqueiro bem sucedido Davis (Jake Gyllenhaal), um homem perto dos 40 anos que possui uma pacata vida ao lado de sua esposa que é filha de seu chefe. Após um terrível acidente de carro, Davis fica viúvo e a partir daí sua vida ganha um novo sentido, mesmo não sabendo como lidar com essa perda, e ele precisará passar por uma auto descoberta e começa a prestar mais atenção no mundo ao seu redor. Assim, acaba, inusitadamente, conhecendo Karen (Naomi Watts), uma solitária e mãe solteira atendente de um SAC de Vending machines. Juntos passarão dias se redescobrindo, quase um tratamento de como redescobrir o simples ato de viver.

O grande destaque da produção é o roteiro. Muito complexo e com diálogos inesquecíveis, cria uma originalidade para o gênero drama no mais alto nível. Sentamos na cadeira do cinema e embarcamos direto nas emoções do protagonista, uma difícil construção feita por Gyllenhaal, que exala simpatia do início ao fim da projeção. A relação dele com o sogro (interpretado pelo sempre ótimo Chris Cooper) - seus altos e baixos - as descobertas feitas sobre sua esposa que são uma conseqüência do relacionamento que tinham, a inusitada ação do destino que por meio de uma reclamação - que mais parece uma fuga para o momento que vive - faz entrar em sua vida uma mulher admirável, solitária quase um  alter ego, um ‘outro eu’ que Davis nunca imaginara que existia.


O desfecho é emblemático e faz muito sentido. Davis é um eterno paciente em busca de respostas sobre quem ele realmente é, um cidadão comum, um pouco solitário que também busca saber as razões de sua evidente solidão.  Ele entra em uma fase de loucura (daí a ideia do título provavelmente) que nada mais é que uma proteção anônima de seus sentimentos, que quando são encontrados fazem a vida ter um pouco mais de sentido. Demolição (Demolition) estreia no circuito brasileiro dia 04 de agosto e promete fazer bastante sucesso com o público. 
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23/06/2016

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Crítica do filme: 'A Comunidade (Kollektivet)'

Família! Família! Papai, mamãe, titia, Família! Família! Almoça junto todo dia, nunca perde essa mania. O novo filme do excepcional cineasta dinamarquês e criador do movimento Dogma 95 Thomas Vinterberg é um trabalho que fala sobre o sentimento forte da ideologia de mudança nas relações. Ambientado na década de 70 e cheio de assuntos a serem explorados, como a ‘política’ dos relacionamentos e as novas ideologias frutos de pensamentos inovadores sobre uma sociedade que está em constante crise, o longa-metragem transporta o espectador para uma viagem muito diferente sobre o ser humano e suas constantes ideias mirabolantes. Somos brindados também por uma atuação maravilhosa dos atores dinamarqueses Trine Dyrholm e Ulrich Thomsen, ambos que aturam no inesquecível clássico de Vinterberg, Festa em Família.

Na trama, conhecemos o professor de arquitetura Erik (Ulrich Thomsen) e sua esposa, a apresentadora de televisão Anna (Trine Dyrholm) que está se mudando para um enorme casarão com sua filha Freja (Martha Sofie Wallstrøm Hansen). Adeptos de idéias inovadoras e pensando que poderiam melhor seu cotidiano, a família resolve chamar amigos e conhecidos para morarem com eles, formando uma espécie de comunidade, assim dividem as despesas e passam a ter uma grande reunião diária, seja no almoço, seja no jantar. Porém, ao longo do tempo, Erik começa a se distanciar de Anna e acaba se apaixonando pela estudante Emma (Helene Reingaard Neumann) e para piorar os moradores da casa concordam em deixar a jovem morar com eles fazendo com que Anna tenha sua vida destruída em poucos dias.

Vinterberg é muito objetivo em focar no tema central de sua história (o roteiro foi escrito pelo diretor e por Tobias Lindholm – esse último teve seu último filme, como diretor, indicado ao Oscar deste ano, Krigen). Por mais que tenhamos muitos personagens entrando e saindo das cenas, a trama que se desenvolve passa mesmo pelo triângulo amoroso instaurado e uma história quase que paralela sobre o desenvolvimento da juventude da filha de Erik e Anna, Freja. Essa última, possui um olhar muito delicado e emocionado sobre o desenrolar dos fatos que acontecem com seus pais, é quase que um ponto de equilíbrio do casal, ela percebe tudo, ela vê tudo mas ainda possui uma imaturidade para lidar com tanta informação.

Uma coisa que se torna um pouco difícil durante as quase duas horas de duração do longa é determinar todos os reais motivos da criação dessa comunidade. Um fato forte e batido muitas vezes nos diálogos de Erik é a questão financeira mas não é só isso, ou talvez essa seja somente a visão dele. Em Anna, por outro lado, percebemos uma objetiva vontade de agregar valores ao cotidiano do casal mas logo percebe que a mais prejudicada nessa ideia foi a mesma.  


Com lançamento previsto para agosto deste ano nos cinemas brasileiros, A Comunidade (como deve ser mesmo chamado por aqui o filme), é um projeto que nos faz pensar sobre a sociedade e os impactos familiares que possamos ter quando deixamos de acreditar na união. Família êh! Família ah! Família! Família êh! Família ah! Família!
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Crítica do filme: 'Life - Um Retrato de James Dean'

Em vez de dinheiro e fama, me dê a verdade. Dirigido pelo cineasta holandês Anton Corbijn (do excelente O Homem Mais Procurado), Life - Um Retrato de James Dean é um longa metragem com ótimas atuações, um roteiro muito competente, além de uma trilha sonora pra lá de interessante. Ao longo dos 111 minutos de projeção, somos testemunhas de um recorte emblemático do início da trajetória do rebelde James Dean na indústria do cinema. No caminho para ser uma estrela de primeira grandeza, Jimmy (como era chamado por muitos), tem que saber jogar o jogo da indústria cinematográfica e principalmente do todo poderoso Jack Warner (Ben Kingsley).

Na trama, baseada em fatos reais e ambientado em meados da década de 50, conhecemos o jovem fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson), que entre as revistas que o publicam está a badalada Revista Life. Durante uma festa de figurões da indústria hollywoodiana, conhece o jovem e promissor ator James Dean (Dane DeHaan) que na época ainda não tinha estourado para o estrelato e estava em um relacionamento atrapalhado com a bela atriz italiana Pier Angeli (interpretado pela igualmente bela Alessandra Mastronardi). Se aproximando aos poucos do futuro grande astro, Dennis resolve apostar suas fichas em um ensaio fotográfico com Dean que seria um dos marcos na trajetória deste astro.

No auge de uma Hollywood entupida de sucessos – o filme não vai a fundo para mostrar as intensas lacunas desta indústria, se propõe a explorar seus personagens relacionados ao contexto da época - aos poucos vamos conhecendo um pouco da rotina de Dennis e Dean, o primeiro, esse fotógrafo corajoso que apostou todas as suas fichas na ascensão de Dean. O segundo, tímido, rebelde, desajeitado e totalmente vivendo em seu próprio mundo. O que mais deixa interessante essa história é o raio-x emocional desse combate a reclusão e o desabrochar de uma personalidade única que nas lentes de Stock possui muita vitalidade, Inteligência e simplicidade. O projeto toca também no conflito sobre o destino. Há um medo de ambas as partes em se arriscarem pela profissão. Um talvez pelas incertezas e dramas familiares, o outro por algumas peculiaridades bem distantes dos grandes astros de Hollywood.


Life - Um Retrato de James Dean estreia no Brasil no dia 21 de julho e promete agradar não só aos fãs de Dean mas a todos que gostam de uma boa história. 
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