Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Being Flynn'


"Mais um filme do 'new De Niro' que dá mais sono que lexotan..."


O novo trabalho do diretor Paul Weitz (que também dirigiu o primeiro filme da franquia “American Pie”), “Being Flynn”, é um drama que aborda a relação distante entre um pai e um filho em momentos parecidos de suas vidas. As atuações tentam convencer com a carga dramática embutida em cada fala dos personagens, porém, a história perde um pouco o elo com o público, no meio pra frente, esfriando a nota da fita aos olhos cinéfilos.

Na trama, conhecemos Nick Flynn (interpretado pelo jovem Paul Dano) que após trair a namorada aeromoça com outra mulher é despejado de seu lar, indo buscar uma nova aventura em sua vida (tanto no pessoal, tanto no profissional). Após se restabelecer em uma nova casa, recebe um telefonema no mínimo curioso, seu pai que não via fazia 18 anos estava do outro lado da linha pedindo ajuda para uma futura mudança. A imagem que Nick tinha de seu pai era completamente diferente da realidade, na verdade Jonathan Flynn (Robert de Niro) é um vigarista metido à escritor. Mesmo com uma distância tremenda de personalidades, ambos tentarão se reencontrar como uma família.

Os diálogos tem duas fases nessa produção. Na primeira parte do filme ótimas sacadas são expostas, personagens tornam-se carismáticos e um grande elo com o público vai sendo criado. Porém, na segunda parte, o longa se torna cansativo, preguiçoso, os personagens perdem todo o carisma e o filme cai tremendamente. O roteiro (escrito pelo próprio diretor, baseado no livro de Nick Flynn) tinha tudo para se encaixar perfeitamente e aos poucos, infelizmente, vai caindo levando o filme pra baixo, em relação ao conceito cinéfilo.

“Being Flynn” era uma esperança em relação aos filmes cults desse ano. Elementos excelentes erroneamente aproveitados, dentro de uma história que se tornou fria, distante e sonolenta. Cuidado cinéfilo, você poderá cair no sono vendo esse filme. 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...