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Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'


Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur, com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras.

Na trama, conhecemos a documentarista Zoe (Lily James), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz (Shazad Latif) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de acordo com as tradições de sua família descendentes de paquistaneses. Com o passar do tempo, Zoe começa a refletir mais sobre sua própria vida, o olhar para o outro se torna mais corriqueiro, de forma simples começa a perceber os contextos que o destino transmite.

A multicultural londres do dias atuais vira cenário de uma história que se sustenta nos dilemas. Casar sem conhecer, sem amar, é algo impensável? Como construir os primeiros laços com um alguém que você não conhece? A narrativa, super dinâmica e envolvente, se joga em cima dessas e outras perguntas para trilhar uma caminhada sobre o choque das tradições tendo como elemento primordial as dúvidas e medos na visão de duas pessoas com trajetórias completamente diferentes mas com um forte elo sentimental. Essa base da história, aproxima demais os personagens dos espectadores.

O pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras das tradições aqui encontram seus argumentos. É preciso entender ao próximo, sua história, suas raízes, mesmo não concordando. Minha Família Quer que Eu Case não é só uma história de amor, é um olhar atual para a sociedade quando pensamos nos abismos sobre importantes diálogos que devem acontecer. Afinal, não é preciso se reinventar, somente entender.


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