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Crítica do filme: 'Número 24'


Quanto vale a liberdade? Traçando reflexões do antes e depois, pelos olhos do mais condecorado cidadão norueguês, sobre mais um capítulo triste na história da humanidade, o longa-metragem Número 24 apresenta fatos verídicos em uma espécie de julgamento moral. Dirigido por John Andreas Andersen, o projeto caminha pelas linhas tênues e inconclusivas do que é certo ou errado em tempos de guerra, apresentando a visão de um mestre dos disfarces, e sabotador, que precisou fazer uma ruptura em sua trajetória encontrando uma nova maneira de viver e lutar pelo que acreditava.

Na trama conhecemos um senhor de idade que se aproxima de algumas centenas de jovens em um auditório e começa a falar sobre sua visão e vivência em uma das piores guerras da história. Seu nome é Gunnar Sønsteby (Erik Hivju/Sjur Vatne Brean), uma figura famosa durante o conflito, um sabotador temido, cheio de disfarces, que atrapalhou os nazistas de muitas formas. Ao longo das quase duas horas de projeção vamos entendendo toda a luta e missões desse personagem meticuloso, que fez parte da resistência norueguesa quando os alemães tomaram seu país durante a segunda guerra mundial.

É importante uma rápida contextualização. Mesmo declarado como neutro na guerra, a Noruega sofreu a invasão alemã em abril de 1940, muito por uma questão estratégica por parte dos nazistas com o objetivo de controlar os minérios de ferro vindos da Suécia. Mesmo sendo o país que mais resistiu aos ataques dos nazistas durante a guerra, a invasão se consolidou, em um período que durou até meados de 1945. Nesse tempo (até um pouco antes) é que vemos o recorte de Número 24.

Em um foco para o principal nome da chamada resistência norueguesa, acompanhamos uma narrativa repleta de detalhes que nos transportam para aqueles tempos onde a dor e o sofrimento viviam lado a lado com as formas de sobrevivência. Mas exatamente na maneira de como mostrar essa história é que vem a grande sacada dessa obra. Contada por um Gunnar mais velho, muito tempo depois da guerra, entrando num auditório repleto de jovens, voltamos ao passado para entender questões sobre suas mudanças de rumos na vida em favor de sua causa.

Buscando mais um recorte europeu da segunda guerra mundial, Número 24 se diferencia de muitos outros filmes por uma questão importante que faz a obra ganhar muito sentido no último ato. Um julgamento moral acaba tomando conta da história nos levando para num desfecho pra lá de reflexivo e convincente. Uma grata surpresa da Netflix nesse início de ano.



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