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Crítica do filme: 'Disparos'


Escrito e dirigido pela cineasta Juliana Reis Disparos é uma grande surpresa dentro do atual cinema nacional, foca em temas polêmicos, muito bem amarrados pelos sábios diálogos que são gerados. Com algumas referências ao cinema nacional, aquela noite bombástica (provavelmente baseado em fatos do cotidiano brasileiro) vai criando paralelos que são utilizados, sabiamente, como flashbacks que auxiliam na compreensão da história. Um filme que você precisa conhecer.

Na trama, somos rapidamente apresentados a um fotógrafo e seu assistente que se envolvem em um acidente que acaba gerando grandes consequências para o primeiro. Com direito a mentiras e muitos pontos de vista diferentes, no desfecho somos surpreendidos exatamente por conta dessa ótica diferenciada de cada personagem sobre aquela noite. O corajoso roteiro é bem estruturado, não parece com outros filmes que vemos no cenário brasileiro. De vez em quando é bom ir na contra mão do que todos fazem. Nesse caso, em relação ao nosso cinema, é fundamental. A originalidade sempre vence, precisamos disso.

No grande teatro reproduzido na telona, os atores comandam o dinamismo e o clima de tensão. Gustavo Machado assume o papel do protagonista e consegue passar todo o clima de suspense nas grandes reviravoltas em que seu estressado fotógrafo se mete. O ator oriundo da cena teatral, interpreta o segundo fotógrafo na sua carreira dentro do cinema, o primeiro foi no filme de Beto Brant Eu Receberia as piores Notícias dos seus Lindos Lábios.

É a volta do bom e velho cinema cabeça. É um filme que você precisa ficar atento e que lhe oferece elementos para atrair a atenção necessária. Uma das poucas vezes, no cinema nacional, em que o roteiro é o grande destaque do filme.

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