Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Somos Tão Jovens'


Quem nunca cantou Que País é Este?, Música Urbana ou Geração Coca-Cola ? O cineasta Antonio Carlos da Fontoura (O Gatão de Meia Idade) teve o desafio de levar para as telonas a história do maior ídolo do Rock and Roll brasileiro, Renato Manfredini Jr que se transformaria no genial Renato Russo. O processo dessa transformação, de adolescente à ídolo é exatamente o que é apresentado no filme Somos Tão Jovens que após muitos atrasos chega aos cinemas brasileiros na primeira semana do mês de maio. Engana-se quem pensa que o filme entrará a fundo na formação da Legião Urbana. O longa é claramente sobre a vida do vocalista da Legião, não sobre a banda.

Com o ator Thiago Mendonça na pele de Renato, o filme conta a trajetória de Renato Manfredini Jr, um jovem inteligente, sonhador, morador de Brasília que sofreu com uma doença na adolescência e durante esse processo conturbado projetou seu destino como músico.  O longa conta com detalhes marcantes a descoberta da importância da música em sua vida. Assim, resolve criar a banda Aborto Elétrico e se torna amigo de muitos futuros artistas influentes nos dias de hoje. Mas Renato tem um temperamento difícil e isso sempre dificulta seus relacionamentos, assim se isola até conhecer Dado e Bonfá quando forma uma das mais conhecidas bandas da história da música.

Um dos inúmeros pontos positivos do filme é a maneira como as cenas musicais do filme foram rodadas. A captação de som do show é original, Thiago Mendonça e os outros atores cantam e tocam o que reproduz o clima dos shows da época e projeta mais veracidade ao que vemos nas sequências. Thiago Mendonça dá um verdadeiro show como Renato Russo. Conflituoso e expressando-se de maneira intensa ao longo do filme, nos aproximamos cada vez mais do personagem por conta da interpretação do jovem ator que entre outras coisas é muito convincente.

Entre discussões e contestações sobre o mundo em que vive, somos guiados pelo ótimo roteiro de Marcos Bernstein para dentro do universo de criação de uma das mentes mais criativas que a música popular brasileira já teve. Ainda é Cedo, um dos clássicos de Renato Russo, é uma música fundamental na história sendo usada como referência para explicar parte da trajetória desse artista único.  

Rodado em Brasília e na cidade de Paulínia (SP) Somos Tão Jovens levaria uma legião de fãs aos cinemas mesmo se o filme fosse ruim. Mas, o habilidoso projeto bica qualquer possibilidade de insucesso sendo inteligente e franco na maneira como conta essa aguardada história tornando-se um dos grandes filmes nacionais do ano, sem dúvidas! Se a sua geração é coca-cola ou não, você não pode perder! 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...