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Crítica do filme: 'Não Olhe para Cima'


O retrato da polarização que remete à uma quarta parede. Um dos mais polêmicos filmes de 2021 enfim chegou ao catálogo da Netflix. Não Olhe para Cima é um retrato apocalíptico, com pitadas de humor ácido, que no campo das reflexões gera inúmeras interpretações de quem acompanha as mais de duas horas desse novo trabalho do cineasta Adam McKay. Indicado em quatro categorias no Globo de Ouro 2022 e contando com um elenco de estrelas como: Leonardo DiCaprio, Meryl Streep e Jennifer Lawrence, Não Olhe pra Cima se aproxima muito do cenário político do Brasil.


Na trama, conhecemos Kate (Jennifer Lawrence), uma jovem estudante de astronomia e ingressante em seu primeiro PHD que em um dia acaba descobrindo a existência de um meteoro de imenso diâmetro que está em rota de colisão com a Terra. Com a ajuda do seu chefe e professor Dr. Randall (Leonardo DiCaprio) eles buscam soluções do governo norte-americano para uma manobra de defesa afim de exterminar esse grave problema vindo do espaço, só que a presidente Orlean (Meryl Streep) não está se importando muito com a gravidade da situação e acaba transformando tudo ao redor do problema em um circo midiático onde veias negacionistas se afloram e se chocam contra a obviedade de outros.


Nunca nos últimos anos um blockbuster norte-americano disse tanto sobre nosso país do que nesse filme. Os duelos midiáticos entre negacionistas e quem usa a ciência como referência, as loucas teorias contrárias ao óbvio, os carrapatos empresários que só pensam em lucro antes de qualquer coisa quando pensamos em bem comum, um presidente que viaja na maionese em relação a comprovações científicas, a violência verbal para defender pontos de vistas... está tudo nas entrelinhas desse ótimo roteiro escrito por McKay baseado numa história do escritor David Sirota.


Há uma ‘Neo Metalinguagem’ inserida no projeto já que a interação do espectador na ação dramática é quase instantânea, repleta de obviedades que enxergamos claramente em nossa sociedade por meio de peões sanguessugas repletos de ganância e com o poder de importantes decisões nas mãos. A figura do empresário megalomaníaco Peter Isherwell (interpretado brilhantemente pelo ganhador do Oscar Mark Rylance) é a representação dos bastidores da política, não só no Brasil mas em muitos lugares do mundo. Em relação ao circo midiático, Brie (Cate Blanchett) a apresentadora polêmica do programa sem noção de entrevistas representa esse poder da comunicação em levar a confusão em mensagens que deveriam ser simples e objetivas.


Em resumo, Não Olhe para Cima é uma baita crítica social que duela com o espectador pelos caminhos chamativos do humor ácido mas que na verdade podemos enxergar também como um grande sinal de atenção a tudo o que está ao nosso redor mas que as vezes não paramos para pensar como deveríamos.

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