Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Duets - Vem Cantar Comigo'


As voltas que a vida nos traz. No início dos anos 2000, chegou aos cinemas do mundo todo um filme que pegava carona no sucesso dos karaokês para nos trazer histórias de reconstrução existencial seja por questões amorosas, seja por momento difíceis que a vida nos apresenta. Dirigido por Bruce Paltrow, o projeto ganhou os ouvidos de cinéfilos e cinéfilas de todo o planeta quando uma das músicas do filme, Cruisin, ganhou proporções mundiais se tornando facilmente detectável em todo bom ouvinte de música. Na linha da amargura flertando com um tom cômico quase auto destrutivo caminhamos pelas histórias dos personagens de maneira leve e até certo ponto descontraída. O filme conta com inspiradas atuações e uma participação pra lá de especial do cantor Michael Bublé.


Na trama, conhecemos algumas pessoas que de alguma forma tem a música em seu campo intercessor. Conhecemos o cantor e malandro Ricky (Huey Lewis), um experiente artista que roda os Estados Unidos aplicando golpes em apostas musicais que acaba descobrindo em uma dessas paradas que tem uma filha, Liv (Gwyneth Paltrow), com o grande amor de sua vida. Também é nos apresentado a saga do vendedor Todd (Paul Giamatti), um homem muito infeliz no seu casamento e no trabalho que um dia acaba sendo apresentado ao universo dos karaokês, fator que desperta nele uma nova chance de enxergar a vida, principalmente quando seu destino se une ao de Reggie (Andre Braugher), um ex-presidiário que tem uma voz de anjo. Billy (Scott Speedman) e Suzi (Maria Bello) também tem seus destinos modificados quando a partir de um encontro nasce uma amizade. Essas almas estão rumo a um grande prêmio de 5.000 dólares em um campeonato nacional de karaokê.


A melancolia é algo evidente dentro de todas as histórias apresentadas. Com pontos intersessivos entre as individualidades de cada uma dessas personalidades, o roteiro nos apresenta pontos reflexivos variados que aproxima os olhos dos espectadores com pontos comuns de muitas vidas do lado de cá da telona. Falar sobre a depressão de maneira leve mas profunda é um dos pontos alto desse trabalho que tem interpretações carismáticas e um roteiro que empolga em muitos momentos. Muito difícil não se apaixonar pelo menos por uma das histórias aqui apresentadas.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...