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Contágio - Cinema com Raphael Camacho

Com uma espécie de crítica ao que ficaria em torno de uma possível epidemia de escala global, principalmente, no modo como os governos lidariam com esse pânico da população é o argumento principal dessa boa trama que promete lotar as salas de cinema no mundo todo. O diretor Steven Soderbergh, dá um ritmo dinâmico à sua fita que é completado por uma trilha sonora freneticamente bem produzida (créditos para Cliff Martinez).

No longa, um vírus que é transmitido pelo ar chega rapidamente ao conhecimento da nação transformando especialistas e homens da ciência na única fonte de possibilidade para encontrar uma cura. Um caos domina o mundo e pessoas de todas as nacionalidades lutam pela sobrevivência.  

O filme relata também a exposição da comunicação, na era da tecnologia e das comunidades virtuais. O quão grande e rápido seria o vazamento da notícia e suas conseqüências. Passa nas mãos do personagem de Jude Law e seu carregado sotaque londrino (que na fita faz um blogueiro famoso) muito desse tema. A contextualização do poder das redes sociais e o poder de opinião de algumas pessoas trás a história para o nosso tempo.

Em muitas cidades um verdadeiro caos é instaurado. As ladeiras de São Francisco (cidade americana) nunca estiveram tão bagunçadas. Imagino como Adrien Monk, morador ilustre da cidade, estaria em meio a um caos dessa proporção (referência ao personagem de Tony Shalhoub , do seriado Monk, que possui problemas sérios de Transtorno Obsessivo Compulsivo).

A paranóia em volta da doença é mostrada com atitudes anti-sociais e pânico, gerado pela possibilidade de infecção.  Matt Damon (que está muito competente no papel) e seu personagem são os encarregados de nos passar isso, são os que mais sofrem na história. Com falecimentos na família, faz de tudo para proteger a única filha que lhe restou.

Classes trabalhistas, como as enfermeiras, através de greves e medo de contágio atrapalham a logística das soluções. Obstinados, homens e mulheres da ciência vão atrás da cura. Uma dessas pessoas é a Dra. Erin Mears, interpretada pela sempre sensacional Kate Winslet. Impressionante como essa talentosa atriz fica bem em qualquer papel.

Ao mesmo tempo à busca pelo paciente zero (que deu origem a epidemia) é feita muito pela personagem de Marion Cotillard. Um destino interessante é dado à mesma. Sequestrada, vira professora de um vilarejo (que também é uma espécie de refúgio) e moeda de troca para recebimento de vacina.

Conflitos éticos são muito bem abordados durante todo o decorrer da história. Laurence Fishburne interpreta o Dr. Ellis Cheever, responsável por expor esses conflitos e chegar à uma redenção perto dos créditos finais.

A dor de não poder enterrar seus entes queridos (por conta do medo de contágio), cobaias de origem animais usadas desesperadamente por especialistas em busca de mais informações sobre a doença, o desespero por comida (questão básica de sobrevivência), atendimento de serviços de segurança à população(o famoso 911) com opções para quem quer remover um corpo, são amostras do que é passado ao longo dos 100 minutos da produção.

Já vimos o Passageiro 57 em outros verões. Esse número volta ao imaginário cinéfilo dando o nome à vacina com possibilidades de cura. 

Imaginando uma versão brasileira dos fatos, se tivesse um filme nacional com essa temática, a música A Cura do Lulu Santos, cairia como uma luva.

O filme estréia por aqui no dia 28 de outubro. Lave bem as mãos e vá ao cinema!



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