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Crítica do filme: 'Chefes de Estado'


Colocando no centro do palco o espinhoso universo da geopolítica mundial — desta vez focando em duas superpotências — o longa-metragem Chefes de Estado mistura comédia e ação em uma narrativa explosiva, onde o sarcasmo afiado e o deboche funcionam como combustíveis para situações tão absurdas quanto divertidas.

É um filme em que o impossível se torna possível, sempre com uma boa dose de irreverência. Dirigido pelo cineasta russo Ilya Naishuller (diretor do excelente Anônimo), o projeto, mesmo seguindo a famosa, e por vezes sonolenta, receita de bolo de muitos filmes de ação, consegue encontrar na comédia um abrigo.

Will Derringer (John Cena) é um ex-ator de filmes populares que vira presidente dos Estados Unidos. Nos seus primeiros meses de governo, ao fazer uma visita à terra da rainha, precisa dialogar com o primeiro ministro britânico Sam Clarke (Idris Elba). A questão é que os dois não se entendem já faz um tempo. Quando resolvem embarcar juntos no Air Force One rumo a uma reunião importante da OTAN, são alvos de um terrorista implacável. Assim, as duas autoridades precisarão unir forças, para desmembrar uma conspiração que coloca o mundo próximo de mais conflitos.

Para quem dá o play esperando um filme de ação exagerado e descompromissado, não está exatamente errado — essa é, sim, uma forma de enxergar o projeto. A aposta no trio clássico 'tiro, porrada e bomba' é evidente desde o trailer, deixando claro que o foco está na ação explosiva. O lado positivo é que essas cenas são muito bem executadas, com direção competente e ritmo envolvente. Naishuller já havia mostrado sua competência no universo da ação com o ótimo filme Anônimo.

O que pode diferenciar esse de outros projetos é exatamente o uso de um sarcasmo que traça paralelos hilários com o mundo real. John Cena se destaca em muitos momentos como um presidente que assume todas as facetas do homem mais poderoso do mundo. Mas quando tenta ingressar em assuntos da geopolítica, o roteiro derrapa nos exageros deixando as reflexões em segundo plano. A narrativa se projeta para gerar cenas de ação constantes mas o que brilha mesmo é a comédia aos moldes pastelão - um surpreendente trunfo - além da ótima harmonia em cena entre Cena e Elba.

Com filmagens na França e na Itália, Chefes de Estado estreou neste início de julho no Prime Video. É aquele passatempo que passa na média. Não é uma obra-prima, logo vamos esquecê-lo mas diverte, e isso é o que importa quando queremos apenas relaxar. Dê o play e tire suas próprias conclusões.

 

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