Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme - 'Luz nas Trevas’

Dirigido por Helena Ignez e Icaro C. Martins, "Luz nas Trevas", é um filme que soa como uma paródia inteligente, uma homenagem ao cinema do passado com pitadas de críticas sociais. Falando sobre o Bandido da Luz Vermelha e em paralelo de um suposto filho do criminoso, o filme marca a estreia de Ney Matogrosso como protagonista em um longa.
Na trama conhecemos a trajetória do criminoso que tem o nome de batismo Jorge Bronze mas é conhecido mesmo pelo seu apelido, Tudo-ou-Nada (interpretado pelo ator André Guerreiro) que é filho do famoso Bandido de Luz Vermelha (Ney Matogrosso), que há décadas atrás assaltava casas de ricaços e ganhou manchetes do Brasil sendo transformado em ícone por algumas editorias. Entre um letreiro e outro, somos ouvintes das reflexões do famoso prisioneiro, que praticamente narra o que vemos na telona indiretamente.
Diálogos trágicos cômicos também fazem parte do universo criado. A trama foi adaptada do roteiro escrito por Rogerio Sganzerla, antes do mesmo falecer. Do início ao fim há um certo embaralhamento dos dois filmes sobre o famoso bandido. Tem um desentendimento de Lynch e relembra uma fita, daqueles tempos em que Nicolas Cage fazia bons filmes, “Coração Selvagem” para ser mais específico. Os que se afastarem da trama por algum motivo, acharão o protagonista, Tudo-ou-Nada, parecido com o Rodrigo Sant'anna e seu personagem Admílson.
Cheio de frases de efeito, politicamente incorreto, munido de seu lenço vermelho, além de sua lanterna da mesma cor, vemos as aventuras do criminoso associada a uma trilha sonora bem eclética. Declamando frases profundas, Ney Matogrosso desempenha muito bem seu importante papel na história. A talentosa Djin Sganzerla e sua beleza também dão o ar de sua graça, tem uma cena difícil e que muitos acharão desnecessária, uma nudez frontal que realmente não tinha contexto naquela sequência. Nomes conhecidos do nosso cinema fazem pequenas participações, como Maria Luisa Mendonça, Simone Spoladore (que estava ótima em “Elvis e Madona”), Paulo Goulart, Thunderbird e seu terno chamativo também marcam presença, entre outros.
O seu desfecho à la vídeo clipe musical coroa uma fórmula peculiar que jogada no liquidificador cinematográfico criado agrada as mais cépticas mentes cinéfilas.

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...