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Crítica do filme: 'Kaira e o Temporal' [Mostra de Cinema de Gostoso 2025]


Rotinas controladas, forças rebeldes, última esperança. Se pensarmos rapidamente, parece até que estamos falando de Star Wars, né? Mas garanto que não: trata-se de um curta-metragem brasileiro repleto de simbolismos e criatividade. Exibido no penúltimo dia da 12ª Mostra de Cinema de Gostoso, Kaira e o Temporal, obra cearense dirigida por Wagner Nogueira Mendes, nos surpreende a todo momento - inclusive com a inserção de uma animação dentro de sua distopia, que funciona como a cereja do bolo ao criar paralelos com temas atuais e relevantes.  

Na inventiva trama, acompanhamos uma jovem menina com o poder de usar o tempo a seu favor para resgatar memórias, em um futuro onde uma metrópole opressiva controla as ações e os movimentos da população que restou. Buscando entender esse mundo cheio de portas fechadas, ela encontra no passado uma forma de enxergar o futuro. 

E, olha, esse ótimo roteiro não poderia encontrar uma melhor maneira de contar essa história. Nessa narrativa repleta de referências culturais – incluindo algumas citações em versos rimados e métricos (cordel) – a animação complementar faz muito sentido, assim como os personagens que buscam soluções carregados de significados, levando o público nessa jornada inquietante para conhecer a história de uma das cidades brasileiras de identidade cultural mais marcante.

Sempre muito bom se deparar com novos cineastas trazendo um frescor criativo para a linguagem, sem medo de arriscar e conduzindo o público para um registro importante, social, efetivo, que pulsa em nossos corações. Adorei! Um dos melhores filmes de Gostoso neste ano.

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