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Crítica do filme: 'Atrás da Porta'


O cineasta húngaro István Szabó (Adorável Júlia) sempre consegue em seus filmes mostrar histórias dramáticas sempre guiadas por uma protagonista de personalidade forte, marcante, que guia o espectador para dentro da telona. Seu novo trabalho, Atrás da Porta, é exatamente assim. Em sua primeira parceria com a ganhadora do Oscar Helen Mirren, Szabó consegue detalhar muito bem, com sua inteligente câmera, toda a angústia e sofrimento que transborda na personagem de Mirren.  As sequências curtas são preenchidas com música clássica de qualidade elevando a qualidade do longa que promete agradar aos que curtem os chamados Filmes Cults.

Na trama, somos guiados até a Hungria, mais precisamente, em Budapeste na metade do século 20 onde um casal está à procura de uma empregada para que uma das partes tenha mais tempo para terminar seu novo livro. Eles encontram Emerenc, uma velha senhora rabugenta que no fundo esconde uma sutileza de uma mulher madura, o carinho de uma amiga e o coração de uma mãe.

O filme foca em determinado momento, no sentimento mais puro que existe, a amizade. Ao som de um violino requintado e muitos pratos saborosos, vamos conhecendo os segredos por trás da porta. O embate entre as duas personagens principais só faz com que elas se aproximem cada vez mais. As idas e vindas nesse relacionamento se tornam constantes. A culpa é a conclusão que se chega já no desfecho. Um passado de recordações e sofrimentos é posto à mesa elevando o nível de emoção que insiste em transbordar da telona até a cadeira do espectador.

Os vidros não se quebram e os cachorros não latem. Com medo de tempestade, insistindo em manter a rua limpa, sempre com seu uniforme e seu lenço preso ao cabelo conhecemos Emerenc (Mirren), uma personagem intensa, genuína, autêntica que consegue criar empatia e ódio de todos os seu redor com tamanha facilidade. Helen Mirren entende como poucos a arte de atuar e se doa por completo a essa difícil personagem. O grande destaque vai para as contestações e os conflitos interessantes sobre religião que circulam os simpáticos diálogos.

Uma crítica negativa. Já nos seus minutos finais a trama se perde se tornando arrastada, com muitas cenas desnecessárias, o que incomoda um pouco o público. Mesmo assim você não pode deixar de conferir esse filme, estreia nesta sexta-feira (01/03) no circuito nacional, afinal, quem não quer conhecer uma história de amizade e dor ao som de um requintado violino?!

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