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E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #459 - Anna Prestes


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, do Rio de Janeiro. Anna Prestes tem 23 anos. Formou-se em Ciências Sociais e, atualmente, está cursando Cinema e Audiovisual na UFF. É apaixonada pela sétima arte desde pequena. Acaba de lançar o @cinebarpodcast com uma amiga voltado para crítica de cinema.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Por estudar na UFF, frequento muito o Cinema Reserva Cultural Niterói. A programação de lá é muito abrangente e sempre tem lançamentos nacionais que eu não consigo achar em outros cinemas.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Eu tenho uma relação muito particular com Moulin Rouge! - Amor em Vermelho (2001), mesmo não tendo visto esse filme no cinema, pois era bem nova quando foi lançado, mas assisti com a minha irmã mais velha muitas vezes e depois coloquei praticamente todas as minhas amigas para assistirem. Foi um filme que me deixou maravilhada em relação ao cinema e todas as suas possibilidades. Não sei a quantidade de vezes que vi, mas sempre percebo coisas novas quando revejo. Ao assisti-lo no Shell Open Air, entendi que minha paixão pela sétima arte vem de muito cedo e um dos culpados é Moulin Rouge!

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Vou falar dois: Michelangelo Antonioni - Blow Up (1966) e Agnès Varda - As Duas Faces da Felicidade (1965).

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Das Tripas Coração (1982) da Ana Carolina, esse filme é completamente caótico e permeado pela histeria coletiva feminina. E por isso amo demais.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Por muito tempo eu reneguei essa palavra, relacionava cinéfilo com uma certa arrogância (que eu acho que às vezes nós temos mesmo). Mas aprendi a apreciá-la, porque é isso que eu sou. Uma pessoa que assiste todo tipo de produções audiovisuais e é completamente apaixonada por esse meio. O cinema faz parte de mim.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feita por pessoas que entendem de cinema?

Cada cinema é voltado para um público. Eu frequento dos cinemas mais comerciais aos mais alternativos, acredito que todos eles entendem qual programação seu público prefere, não sei se necessariamente essas pessoas entendem de cinema em si. Mas, também acho importante quando esses cinemas comerciais fazem sessões do Festival de Cinema do Rio. Por exemplo, eu assisti a Retrato de uma Jovem em Chamas (2019) no Kinoplex Tijuca, e a sala estava razoavelmente cheia.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Creio que não. Por mais que os serviços de streaming estejam dominando hoje em dia, as pessoas sentem falta dos cinemas. É um momento de lazer para muitos, muitas vezes um evento porque, na maioria das vezes, os ingressos são caros, então não são todas as pessoas que conseguem frequentar. Mas, até por esses motivos, acho difícil o espaço físico do cinema acabar.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Um clássico nacional que eu acho que nem todos assistiram é O Amuleto de Ogum (1974) do Nelson Pereira dos Santos. Algo mais recente, diria o suspense coreano Noite no Paraíso (2020) (tá na Netflix).

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Não. Eu sou uma pessoa que está morrendo de saudades de ir ao cinema, vejo vários filmes que estou ansiosa para assistir estreando nos cinemas e fico muito triste. Mas, ainda não é hora para isso. Enquanto a doença não estiver controlada e a população vacinada, não estamos seguros em espaços fechados, mesmo com distanciamento social.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

O cinema nacional tem nos dado excelentes produções. Não apenas filmes como Bacurau (2019) e A Vida Invisível (2019), mas os filmes do novo cinema mineiro, como Arábia (2017) e Temporada (2018), além de vários documentários como Bixa Travesty (2018) e Espero Tua (Re)volta (2019). Infelizmente, há uma crise gravíssima provocada por esse desgoverno, mas acredito que o cinema brasileiro continuará resistindo, se renovando e entregando grandes obras.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Grace Passô e Karine Telles, duas das nossas maiores artistas atuais.

 

12) Defina cinema com uma frase:

"O cinema é meu lar, sinto que sempre morei aqui" Agnès Varda.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Eu fui assistir a Coringa (2019) sozinha no cinema, tinha acabado de lançar, era uma sessão das 16h, tinha só eu e mais umas 10 pessoas na sala. Numa cena bem tensa do filme, (SPOILER: chegam dois caras na casa dele e ele pega a tesoura para matar o cara), bem na hora que ele tirou a tesoura do bolso, A LUZ ACABOU. Voltou uns cinco minutos depois. Tivemos que ficar esperando a luz se restabelecer, e na hora que voltou, avançaram para além da cena da tesoura. Enfim, foi uma experiência engraçada.

 

Outra que eu adoro, foi quando assisti A Favorita (2018) e quando o filme acabou, as pessoas não entenderam que o filme tinha acabado. Porque Yorgos Lanthimos, não é mesmo.

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Nunca assisti, mas pau que nasce torto nunca se endireita.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Não, qualquer um pode dirigir um filme, principalmente hoje em dia. Mas adoro diretores cinéfilos. Assistir o Scorsese falando sobre os filmes que ama é incrível.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Cats (2019).

 

17) Qual seu documentário preferido?

Vou falar três:

Os Catadores e Eu (2000) sim, Agnès Varda de novo.

Que Bom Te Ver Viva (1989), Lúcia Murat.

Um Homem com uma Câmera (1929), Dziga Vertov.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?

Com certeza, em festivais de cinema é muito comum.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

O melhor é Arizona Nunca Mais (1986), mas o que eu mais gosto é Feitiço da Lua (1987). Também amo Coração Selvagem (1990).

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

IndieWire, adoro as críticas do David Ehrlich. E o Mulher no Cinema. Também gosto das críticas da Isabela Boscov na VEJA.

 

21) Qual streaming disponível no Brasil você mais assiste filmes?

Sem dúvidas, a Netflix. Mas tenho assistido bastante filmes na MUBI porque cinema com curadoria é tudo.

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