Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #491 - Sebastião Formiga


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nosso entrevistado de hoje é cinéfilo, de João Pessoa (Paraíba). Sebastião Formiga tem 56 anos. Iniciou sua carreira em 1987 em João Pessoa. Seguiu sua formação com LUME TEATRO em cursos e oficinas de teatro de rua, palco italiano, circo tradicional, clown etc. Montando mais de vinte espetáculos como ator e outros como diretor. Atualmente roteiriza e produz filmes teatro, ministra cursos de interpretação para cinema, televisão e teatro. Participou dos longas-metragens: O SOM AO REDOR, CANTA MARIA, PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE, DESVIO, POR TRÁS DO CÉU, O NÓ DO DIABO e VIDA ENTRE FOLHAS. Curtas: protagonizou três filmes, O HOMEM DE BARRO, REPRESA (Prêmio de melhor ator FEST CINE pe2016) e GERONIMO.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Cine Banguê. Porque tem ótimas qualidades técnicas de exibição, conforto e uma ótima seleção de filmes, localização central e bem ambientado.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Coração de Luto - Teixeirinha.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Adoro Godard, Antonioni, os irmãos Dardenne. Mas vou de Federico Fellini - A Estrada da Vida/Noite de Cabiria. (Difícil escolher.)

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

O SOM AO REDOR. Por revelar as ruínas de um patriarcado construído às custas do suor e sangue de trabalhadores. Questionando os reais valores das pessoas ao longo da vida.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Ter tempo e disponibilidade para maratonar nas leituras, produções e exibições de filmes de várias regiões. Construindo fóruns, debates e discussões em festivais, mostras, em aulas e em grupos afins.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Não. Em geral são pessoas comuns que simplesmente abrem as salas e controlam vendas de ingressos e entrada e saídas. Poucos lugares são gestados por profissionais da área.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Acho que num futuro próximo. Com o surgimento de novos aparelhos de exibição gigantes em casa e com as plataformas e canais de produções e exibições contribui muito com esse fim. Porem tem o lance da vida social. Onde as pessoas querem sair de casa e encontrar pessoas e viverem outras sensações. Uma redução.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Cinema Paradiso. Giuseppe Tornatore.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Não! Só salas remotas. Acho que a arte é vida. Não podemos se contradizer a esse ponto.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Vivemos na eterna descontinuidade do nosso fazer cinematográfico. Tivemos 16 anos de retomada onde o país inteiro se reorganizou e produziu milhares obras fantásticas. Desenvolveu-se uma nova forma de se fazer cinema no país. Dando voz as minorias e oportunidades para todos registrarem suas histórias nos seus lugares no tempo vigente. Atualmente estamos órfãos, sem muita perspectiva de grandes obras. Sem apoio não existe cinema. Morre a história, cala os artistas.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Kleber Mendonça Filho.

 

12) Defina cinema com uma frase:

A arte transcendental da vida no tempo e no seu espaço.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Em 91, início de carreira, estávamos em cartaz com um espetáculo no Rio de Janeiro. Um dia de folga nos organizamos para irmos ao cinema ver um filme Frances remanecente do movimento Nouvelle vague. Estávamos aflitos achando que não íamos encontrar mais ingressos. Aquela correria até Botafogo. Ao chegar no cinema tinha apenas 6 pessoas. Fiquei chocado sem entender como uma cidade como o Rio de Janeiro não estava ali para ver aquele filme. A partir daí comecei a ver a realidade da arte no geral. Outro caso. Em 82 na cidade Pombal ainda existia o CINE LUX. Para entrarem no cinema só de calça comprida. Tinha rapaz afetado das ideias que ia de short e levava a calça no ombro colocava na hora de entrar e logo que saia tirava. Nesse tempo tinha o expetor com a lanterna na mão. Qualquer barulho logo ele focava e ia tomar as satisfações.

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras...

Não vi o filme, mas acho que tem seu real valor. Registra uma história no tempo. Nem tudo precisa ser perfeito, mas ao cruzar as linhas sociais, veremos a importância da ousadia feminina ao enfrentamento do machismo e todos os ismos que até hoje insiste em se fortalecer.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Não! Conheço muitos cinéfilos que sabem tudo de cinema e nunca fizeram nada na área. Fazer cinema é um ato de discernimento técnico, afetivo e até sensorial entre uma equipe com todos estudos, planejamentos e execução.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida? 

Por Trinta Dinheiros. (abafa rsrs).

 

17) Qual seu documentário preferido?

 O Documentário sobre vida e obra de Leonardo Da Vinci.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?

Sim.   

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu? 

São Vários. Cidade dos Anjos.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Não tenho um específico. Vejo muito nos portais dos festivais, no Google, Filme B, Orange e outros. Luiz Zanin e Maria do Rosário.

 

21) Qual streaming disponível no Brasil você mais assiste filmes?

Netflix.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...