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Crítica do filme: 'Dias Melhores'


A causa e o efeito. Baseado no livro In His Youth, In Her Beauty de Jiuyue Xi, Dias Melhores tem como seu tema central o Bullying, navega em dilemas carregando em sua alta carga dramática a iminência com a tragédia, um flerte contínuo, aos olhos de um alguém que parece estar em um labirinto de decepções. É possível se acostumar com a dor? Onde mora a esperança? Abrindo espaço para reflexões também para a pressão sofrida pelos jovens para as admissões em instituições de ensino superior, o olhar da lei para a questão do bullying, a denúncia, a incapacidade da escola em lidar com determinadas situações, o longa-metragem dirigido por Derek Tsang foi o indicado de Hong Kong para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2021.

Na trama, conhecemos Chen Nian (Dongyu Zhou), uma jovem introspectiva que vive seus dias derradeiros com a próxima chegada de uma prova que pode mudar sua vida. Ela vive com a  mãe, que sobrevive vendendo produtos ilegais e deve demais na praça, em um apartamento minúsculo em uma região nada agradável da cidade. Sua única saída é o estudo, se empenhando diariamente para ser uma das melhores de sua classe. Após o suicídio de uma aluna, Chen Nian parece ser o novo alvo de um grupo de alunas cruéis e privilegiadas que tacam o terror em outros alunos. Ela começa a sofrer bullying, com direito a inaceitáveis humilhações. Um dia, vivendo uma rotina de total medo, resolve ajudar Xiao Bei (Jackson Yee) um rapaz que está sendo agredido por uma gangue, fato esse que unirá essas duas almas, com o rapaz a protegendo dos bullying diários.

Arrecadando mais de 200 milhões de dólares somente em bilheteria na China, Dias Melhores levou muita gente aos cinemas. E tenho certeza que muitos dos que viram se identificaram com o que foi exibido, pelo menos com o tema central: o bullying. A construção para explorar em todos seus detalhes esse importante assunto é feita por um roteiro que apresenta o problema e vai atrás de fatores que giram em torno do assunto, transformando a narrativa com ritmo dinâmico, envolvente, pulsante. Além disso, dentro do discurso proposto, não há uma troca de perspectiva, e sim um complemento, transformando a saga dos dois personagens com um foco numa mesma direção.

O chocar, com as crueldades de alguns dos colegas de classe, é um elemento importante dessa narrativa que vira um gatilho para o campo das reflexões borbulharem. Mas e sobre as consequências das ações? Há punição? Há uma batida de tecla na incapacidade da escola em ao menos detectar o problema mesmo com um suicídio e atos de crueldade feitos a céu aberto. Não deixa de ser uma enorme crítica as instituições de ensino. E não só daquele país. A denúncia também ganha espaço, além do controverso olhar da lei para a questão do bullying.

Rodado todo em Chongqing, na China, a dualidade do gênero cinematográfico é algo constante por aqui, um filme de terror em muitos momentos abre-se um laço para um romance improvável com altas cargas dramáticas e onde os conflitos dos personagens parecem constantes, com a incerteza sendo um norte.



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