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Crítica do filme: 'Príncipes Perigosos'


Os longas-metragens mexicanos vem ganhando a atenção dos cinéfilos a partir da chegada dos streamings com toda força nos nossos lares, títulos que nem imaginávamos chegar por aqui agora estão constantemente disponíveis. Esse é o caso do forte e pretencioso Príncipes Perigosos, novo filme disponível na Netflix. Longe de ser um filme fácil, há algumas camadas, seu discurso se mantém numa busca constante por destrinchar um cenário distante de muitos que gira em torno de uma certa investigação sobre a psiquê humana aliada a um confuso conflito de classes. O projeto dirigido por Humberto Hinojosa Ozcariz nada de braçada, junto a uma narrativa nada atrativa, para imposições de pontos de vistas deixando distante as reflexões que aparecem sem destaque. 

A trama gira em torno de quatro jovens que tem a riqueza sempre rondando suas vidas. Envoltos em uma bolha onde tudo é possível e constantemente mimados, quando não tem absolutamente nada pra fazer se jogam em ações perigosas e violentas onde o dinheiro acaba sendo uma variável importante (por incrível que pareça!). Assim, entre sequestros armados, brincadeiras sem noção, traições, e passando por cima de quem aparece, a tal da consequência aparece através de outros olhares atingidos. 

O chocar ganhar força, se torna uma peça de impulso superlativa. Violento, sangrento, com cenas que beiram ao impactante, o roteiro busca soluções para não ficar refém de fragmentos de histórias que envolvem jovens em uma bolha privilegiada. Mas aí que mora o calcanhar de aquiles mais evidente, quando pensamos num contexto mais amplo, entre esquemas bem distantes de dilemas. A trama se perde num jogo desleal ditado por quem tem mais poder de manipulação e acesso a recursos, se tornando inclusive redundante em muitos momentos. 

A corrupção e a impunidade, pares complementares da falta de caráter ,são alguns dos elementos na montagem de peças emocionais que se juntam a própria condição social que os protagonistas estão imersos. A trama fica em segundo plano, o foco são os personagens que se desenvolvem rumo as instabilidades emocionais. Mas será isso o suficiente pra prender a nossa atenção? Com ações de uns e consequências para outros, que se perde pela obviedade, a narrativa se desenvolve em campos sombrios buscando mostrar uma andança desgovernada pela corda bamba entre a ganância e a não resposta pelos próprios atos.



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