Uma família em luto, em um dia caótico e repleto de acontecimentos assustadores, é o start de uma trama que embaralha suas peças entre o drama e o suspense. Acredite: nada em Corta-Fogo é o que aparece!
Em apenas 15 minutos, já estamos envolvidos com a história
que se projeta por meio do luto prolongado, o confronto com as memórias,
achismos, e uma figura misteriosa que beira à ambiguidade e pode estar ligada a
um desaparecimento. A sinopse esconde sobre o que é esse filme e somos
frequentemente surpreendidos ao longo do restante da projeção. A guinada que o
roteiro provoca é muito bem desenvolvida, deixando o público atento a cada nova
informação.
Mara (Belén Cuesta)
chega com a filha Lide (Candela Martínez)
e o cunhado Luis (Joaquín Furriel),
sua esposa Elena (Diana Gómez) e o filho
do casal, para encaixotar roupas e objetos da sua casa que será vendida –
decisão tomada após a perda do marido. Enquanto estão no local, uma torre de telefonia
em meio à floresta solta faíscas que rapidamente se propagam, culminando em um
incêndio florestal arrasador. Prestes a irem embora, Lide desaparece, levando a
família a uma corrida contra o tempo – somada a uma variável que surge de forma
inesperada.
Muito bem dirigido por David
Victori, este surpreendente longa-metragem espanhol caminha através da moral
no campo das suposições, onde a razão humana é colocada em evidência sob o
efeito do que é certo e errado quando a desconfiança aparece e não larga mais.
Nesse ponto, quando acontece a grande virada da trama, percebemos o nível de
tensão crescer a cada possibilidade de descoberta.
De um drama familiar até as certezas imprecisas, suposições
e desespero que formam o alicerce que afloram nas atitudes dos personagens,
vamos sendo surpreendidos por uma narrativa repleta de sugestões apontados para
a dúvida. É muito difícil imaginar para onde o roteiro chega em seu desfecho. Essa
imprevisibilidade é um dos pontos altos do projeto.
Corta-Fogo não é
um filme de sobrevivência. Se coloca muito mais como um thriller provocativo
sobre a culpa que corrói e o perdão que ampara.
