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Crítica do filme: 'A Rainha de Katwe'

A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras. Baseado em fatos reais, narrados no livro Queen of Katwe, de Tim Crothers, chegou aos cinemas brasileiros, de maneira quase desapercebida, o lindo longa metragem A Rainha de Katwe, produzido pela Disney, que fala sobre as problemáticas enfrentadas pela população de um pobre país na África além de lições sobre o relacionamento profundo e carinhoso de uma mãe com seus filhos, tudo isso em volta ao mundo do xadrez que abriu lindas portas e possibilidades para a forte protagonista. Dirigido pela cineasta indiana Mira Nair, o filme promete emocionar bastante.

Na trama, conhecemos Phiona Mutesi (Madina Nalwanga, em sua estreia no mundo do cinema) uma jovem corajosa que vive a beira da miséria ao lado de sua mãe Nakku Harriet (interpretada pela excelente atriz Lupita Nyong'o) e seus irmãos. Sem ter muito o que fazer, a não ser trabalhar, em seu cotidiano, acaba se juntando a um grupo de aprendizes de xadrez, organizado pelo engenheiro Robert Katende (David Oyelowo). Assim Phiona desenvolve seu dom que não sabia que tinha e sonha em ser uma Grande Mestre do Xadrez.

O filme é uma grande lição de vida. O roteiro é ótimo, consegue ser cirúrgico quando mostra todas as dificuldades que a família da protagonista enfrenta quase que diariamente em uma região carente de básicos recursos e ficando reféns da miséria. O ponto alto é a relação de Phiona com sua mãe, que é linda, emocionante. O amor e os princípios ensinados por Harriet são fortes e impressionam, mesmo na dificuldade que muitos de nós não conseguimos ter noção real e exata, Harriet faz de tudo para dar uma boa educação e passar o que acha que é de correto no ato de viver e conviver.

O xadrez acaba sendo um charme a mais para a trama. Mistura de inteligência e coragem o paralelo dos tabuleiros entre reis, peões, bispos, cavalos, torres e rainhas chega delicadamente para ser o paralelo com a vida que Phiona leva com sua família em um país praticamente esquecido pelo planeta. O papel de Robert Katende também é importante para o amadurecimento da jovem, um homem que é muito mais que o treinador de Phiona, um homem que o mundo também precisava conhecer.

A Rainha de Katwe ficou pouquíssimo tempo em cartaz no circuito brasileiro e deve ser adicionado às novas plataformas de filmes em breve. Assim que tiver a oportunidade, não deixe de conferir. Esse filme é muito bonito! 

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