sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Crítica do filme: 'Moonlight: Sob a Luz do Luar'

As mais belas descobertas ocorrem quando as mesmas coisas são vistas com um novo olhar. Filme sensação do último Festival Internacional de Cinema de Toronto no ano passado, esse baita filme Moonlight: Sob a Luz do Luar é uma pérola que precisa ser descoberta por todos que amam cinema. Dirigido pelo cineasta norte americano Barry Jenkins, com roteiro baseado na peça In Moonlight Black Boys Look Blue, de Tarell McCraney, o filme fala sobre a vida de um garoto de origem humilde que precisa enfrentar os absurdos feitos pela mãe e acreditar nas suas escolhas num mundo tão insensível em que vivemos.

A trama, vencedora do Globo de Ouro 2017 na categoria Melhor Filme de Drama, conta a história de Chiron que passa por três fases em sua vida, na infância onde descobre uma amizade com o traficante Juan (Mahershala Ali), na adolescência onde descobre sua sexualidade no encontro com o amigo Kevin, e na fase adulta onde tenta se redescobrir após passar dias preso e tendo que mudar de cidade. Nos três momentos de vida do protagonista, interpretado pelos ótimos atores Alex R. Hibbert (infância), Ashton Sanders (adolescência) e Trevante Rhodes (fase adulta), sua mãe Paula (Naomie Harris, que absolutamente dá um show em cena) o cerca e o coloca em situações desagradáveis muito por conta de seus vícios incansáveis. Ao longo do tempo vamos acompanhando o personagem principal, seus dramas e suas certezas em um mundo cheio de obstáculos em busca da felicidade.

O filme é uma grande crítica social. O preconceito e a violência andam lado a lado, paradigmas impostos por um planeta repleto de caos vivendo todo dia com medos aflorando e com cada vez menos luz no final desse túnel. O protagonista vive grandes conflitos dentro de si e acaba sendo exposto por conta de toda a dificuldade que possui com sua mãe, que deveria ser seu primeiro ombro amigo. Na infância, descobre Juan, o traficante que vendia drogas para sua mãe, um conflito de direções com uma cena emblemática à beira de uma mesa de jantar. Em sua adolescência, onde o roteiro segue firme em sua tentativa de fazer um grande raio-x não só do protagonista mas da sociedade ao seu redor, a descoberta da sexualidade chega com grande surpresa e uma situação que tenta entender aos poucos. Em sua fase adulta, esperamos as conclusões do caminho que Chiron escolheu, quem sabe o amor possa ajudar a encontrá-lo.

O roteiro é espetacular. A direção também. O elenco é maravilhoso. É muito elogio mas com toda verdade do mundo. Tudo é bem detalhado e há uma forma de poesia na maneira como Chiron enxerga o amor. Repleto de amargura dentro de si, o que acaba mexendo com suas emoções (como vemos na cena da cadeira sendo quebrada), as boas ações que viu com os próprios olhos acabam influenciando de alguma forma suas escolhas. Sim, esse também um filme de escolhas e mesmo com o final aberto, quando sobem os créditos imaginamos que enfim, anos depois de uma infância perturbada, sim, nosso protagonista encontra seu caminho.


Moonlight: Sob a Luz do Luar estreia dia 23 de fevereiro. Um filme imperdível, um dos melhores do ano. Bravo!

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