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Crítica do filme: 'Jovem e Bela' (Festival do RJ 2013)

Os grandes diretores do cinema mundial sempre geram altas expectativas em relação aos seus próximos trabalhos. A regra é válida e não foi diferente com o cineasta francês, muito querido pelos cinéfilos brasileiros, François Ozon (Dentro da Casa). Seu novo trabalho Jovem e Bela é um diagnóstico sexual sobre as descobertas da juventude aos olhos tristes, melancólicos e jeito debochado da sua protagonista Isabelle, interpretada por Marine Vacth.

Na trama, acompanhamos uma jovem discreta que após perder a virgindade durante suas férias de verão volta para casa, cria uma página em um website e começa a se prostituir. Assim, levando uma vida dupla e secreta começa a conhecer todo tipo de homem, até que um dia um de seus clientes sofre um acidente e sua família descobre parte do seus segredos.  A protagonista, então, embarca em uma fase difícil, de desconfiança de todos ao seu redor.

É um filme denso, às vezes se perde na falta de dinamismo em suas subtramas. Alguns personagens não conseguem se desenvolver e ajudar a contar com mais detalhes essa curiosa trama. O irmão da personagem principal, Victor (Fantin Ravat) é o que mais ajuda o público a tentar entender melhor o que se passa e quais são os objetivos da protagonista. Sylvie (Géraldine Pailhas) e Patrick (Frédéric Pierrot), a mãe e o padrasto de Isabelle, pouco adicionam, deveriam e poderiam ser mais efetivos e preponderantes para a história.

Jovem e Bela tem várias fases, sendo dividido pelas estações do ano, e, após um começo morno vai melhorando a cada desfecho de subtrama. Nesse drama puxado para o sensual, o jeito frio e as expressões impactantes da protagonista guiam as sequências muito bem captadas pela lente inteligente do famoso cineasta francês que também assina o roteiro do projeto. A descoberta da sexualidade é o ponto chave para traçarmos o perfil desta curiosa jovem que nos é apresentada, uma adolescente que testa seus limites em sua tentativa ansiosa de transgredir.


Não é o melhor trabalho de Ozon. Dentro da Casa (2012) e Refúgio (2008) estão acima mas isso não quer dizer que Jovem e Bela deve ser um filme descartado pelos cinéfilos, poucos diretores no mundo retratam tão bem conflitos fortes e dramas familiares como François Ozon. Não deixe de conferir mais esse bom trabalho do cineasta. 

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