Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Questão de Tempo' (Festival do RJ 2013)

Um pôster do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain preso na parede de um quarto já era o primeiro indicador que iríamos conhecer um sonhador, romântico e que faz de tudo para ser feliz. Em Questão de Tempo, o diretor e roteirista neo zelandês Richard Curtis (Um Lugar Chamado Notting Hill) nos leva a conhecer Tim e sua incrível jornada à procura de um futuro ao lado de um grande amor. Uma trilha sonora jovem e popular embala esse ótimo trabalho que é aquele tipo de filme que todo mundo na sala de cinema faz uma corrente imaginária positiva para que o desfecho seja feliz.

Quem nunca sonhou em poder brincar de viajar no tempo? Nesta fantástica história de amor, perdas e sonhos conhecemos Tim (Domhnall Gleeson) um jovem advogado, tímido e brigado com o barbeiro que mora com os pais em uma casa grande cheia de alegria. Após tentar várias vezes se relacionar com diversas mulheres, sem êxito, e se mudar para longe da casa onde morou toda vida, descobre através de seu pai que possui o poder de voltar no tempo. Assim, com esse fato inusitado sendo usado como trunfo na manga, começa a buscar seu futuro que começa com um grande amor que aparece quando ele menos espera.

As confusões que já vimos em outros filmes sobre as consequências de mudança em acontecimentos passados são apresentadas de maneira leve, descontraída, sempre aproximando o público da história. Alguns podem achar o projeto uma mistura de Como se fosse a primeira vez e Efeito Borboleta mas o filme é muito maior que esses outros dois títulos, talvez por conta das mensagens que são passadas de maneira leve e transparente para o espectador.

Aos poucos as viagens no tempo se tornam desnecessárias pois a vida em sua simplicidade se mostra prazerosa na visão do protagonista. Essa é uma das inúmeras e belas mensagens que o filme passa, com a ajuda dos ótimos atores em cena. Fábulas sobre a busca pelo amor sempre emocionam os cinéfilos. Esse filme não foge à regra, principalmente quando bate na tecla de que ninguém pode ser preparado para o amor ou para o medo.

Domhnall Gleeson (Anna Karenina) interpreta o protagonista e leva muito bem seu personagem sempre com ótimas tiradas e muito humor.  Rachel McAdams (Amor Pleno) – chamada às pressas já que o papel era de Zooey Deschanel (Sua Alteza?) – está muito firme e delicada no papel de Mary, o grande amor que Tim procurava.  O britânico Bill Nighy (Jack, o Caçador de Gigantes) rouba a cena sempre que aparece. Seu personagem é uma espécie de ponto de intersessão entre o protagonista e o restante do elenco. Uma atuação digna de Oscar deste veterano artista.  


O público interage bastante durante a projeção. Os diálogos e o modo como é conduzida as questões de viagens no tempo conquistam rapidamente o público. O desfecho é lindo, valendo cada centavo do ingresso caro que você pagará aqui no Brasil para conhecer essa inesquecível história. A vida pode ser simples e porque não extraordinária também? Você precisa conhecer essa história. Bravo!

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...