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Crítica do filme: 'Nebraska' (Festival do RJ 2013)

Depois dos ótimos Sideways – Entre umas e outras e Os Descendentes, o diretor norte-americano Alexander Payne surpreende mais uma vez o público com um drama que belisca deliciosamente o humor em uma estética de filmes antigos, o P&B. Nebraska é muito mais que uma história sobre uma família de classe média baixa do subúrbio norte-americano, é um filme sobre carinho, afeto e sonhos realizados.

Na história, acompanhamos um aposentado, ex-militar, que certo dia recebe pelo correio a informação de que ganhou uma grande quantia de dinheiro. Teimoso por si só e casado com uma mulher que fala duro e pelos cotovelos, consegue a atenção do seu filho mais novo para acompanhá-lo nesta viagem rumo à Nebraska onde o prêmio o espera. Durante o longo percurso que percorrem, pai e filho acabam redescobrindo um ao outro e grandes surpresas acompanharão cada passo desta maravilhosa história.

Os olhos do público acabam sendo os olhos do filho mais novo, a partir de suas ações e pensamentos, vamos sendo jogados para dentro da história. O ator Will Forte (Vizinhos Imediatos de 3º Grau) merece destaque por conseguir construir seu personagem de maneira inteligente e sensível.  O pai, outro personagem principal do filme, fala com o olhar e sua linguagem corporal – muito bem executada pelo excelente Bruce Dern (Django Livre) que venceu o prêmio de melhor ator, por esse trabalho, no último Festival de Cannes e se torna nome praticamente certo no próximo Oscar. Os dois são a alma e o coração do filme, cenas memoráveis surgem destes dois personagens.

Impossível não se deliciar com os ótimos diálogos entre mãe e filho. Aliás, a atriz que interpreta a matriarca, June Squibb (O Grande Ano), dá um verdadeiro show em cena. A princípio não se mostra muito importante para a trama mas ao longo do tempo percebemos que sem ela o filme não seria o mesmo. Você ri e se emociona em questão de segundos com a sarcástica personagem. Na verdade, todos os personagens são cativantes cada um a sua maneira e assim conquistam o espectador rapidamente.

O roteiro beira ao genial. Bob Nelson que assina seu primeiro roteiro para cinema - acerta em cheio na fórmula. Conta a história dessa família peculiar de maneira engraçada sem deixar a seriedade e a particulariedade de cada um dos personagens interferirem  nas ótimas sequências. O público interage bastante durante toda a projeção e fica com aquele sentimento de quero mais assim que os créditos começam a aparecer naquele maravilhoso fundo preto e branco ao som de uma trilha sonora que marcará muitos amantes da setima arte. Bravo!

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