Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Todas As Razões Para Esquecer'

É preciso sofrer para se chegar aos momentos felizes. Focando em temas atemporais que pairam o universo do primeiro amor, o projeto apresenta um protagonista repleto de dificuldades em entender seus sentimentos e com uma certa síndrome ligada à solidão. Escrito e dirigido pelo cineasta Pedro Coutinho o longa deve agradar ao público jovem e que se interessa pelo bom cinema nacional. Exibido no último Festival do Rio de Cinema, Todas as Razões para Esquecer é um pequeno e interessante recorte sobre a descoberta da maturidade em nossas juventudes prolongadas.

Na trama, tendo como pano de fundo uma bela trilha sonora, conhecemos o complicado Antônio (Johnny Massaro) que acaba de terminar um relacionamento com Sofia (Bianca Comparato), o grande amor de sua vida. O protagonista não consegue entender os porquês do término e começa a navegar em uma trajetória de autoconhecimento,  usando todo tipo de medida nunca antes usada por ele, como ir ao psiquiatra, usar o Tinder, remédios ansiolíticos, em busca de descobertas para melhorar seus dias.

Há um ar melancólico, tons de comédia suaves, e com premissas ligadas às metáforas que a vida traz. Dividido em arcos profundos, com algumas situações tragicômicas, busca por meio de diálogos expressivos dar um certo carisma ao protagonista, interpretado pelo ótimo Johnny Massaro. As idas e vindas dos coadjuvantes, pessoas que envolvem a vida do personagem principal, dão um certo ritmo ao filme sempre buscando surpreender pelas ações inconsequentes e ligadas as emoções do momento dos personagens.


O filme conversa com sucessos como 500 Dias com Ela e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança, apesar de ter uma linha até certo ponto original a desenvolver seu protagonista de maneira coerente. A chave para uma boa sessão é compreender a relação e as exposições de Antônio com a psiquiatra que o atende, a partir dessas curtas mas intensas conversas  compreendemos melhor o quão perdido está o personagem e assim embarcando em sua história repleto de altos e baixos. 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...