Pular para o conteúdo principal

Pausa para uma série! #2 – Peaky Blinders


Para uma série ser boa não basta uma boa trama, precisa de um elenco competente, seguro que saiba exatamente todas as características de seus respectivos personagens. No já longínquo ano de 2013 foi anunciada sem muito alarde pela BBC Peaky Blinders um seriado de apenas seis episódios por temporada que conta a saga violenta de uma família criminosa oriunda de Birmingham logo após a primeira grande guerra. Mal sabia a BBC que esse seriado seria hoje um dos mais aclamados ‘show’ televisivos muito por conta de se principal protagonista, Tommy Shelby, um possante personagem interpretado pelo excelente ator irlandês Cillian Murphy (Extermínio, Sunshine – Alerta Solar). Suas temporadas até o momento estão no Streaming Netflix. Vale muito a pena!

Na trama, ambientada em um pós guerra na Inglaterra, conhecemos a ascensão da família Shelby, conhecidos como Peaky Blinders, envolvida em violência e corridas de cavalo na cidade de Birmingham. O líder não é o irmão mais velho e sim o do meio, Tommy, um ex-soldado de guerra que possui uma frieza e punho firme necessários para o crescimento de sua família. Abordando inúmeros temas importantes que vão desde a corrupção na polícia (já naqueles tempos), até a luta das mulheres por direitos mais equivalentes aos homens no mercado de trabalho, Peaky Blinders possui intenso episódios por temporadas sempre com um grande desfecho impactante.

O molde da personalidade de Tommy é a grande chave do sucesso da série. Extremamente diferente de seus irmãos, os caçulas Finn (Harry Kirton), John (Joe Cole) e Ada (Sophie Rundle), principalmente do mais velho Arthur (Paul Anderson), ele é o epicentro da história, o começo, meio e o fim de cada temporada que partem de suas complicadas escolhas que nem sempre agradam a sua família, principalmente a Polly (Helen McCrory, espetacular no papel), tia da turma e quem ajuda Tommy a liderar os Shelbys.

Entre idas e vindas de amores e casos amorosos, a família Shelby é unida da sua forma por mais que as escolhas de Tommy gerem controvérsias. Criando problemas com a máfia italiana na Inglaterra, com Churchill, com o comissário impiedosos da Polícia (interpretado pela lenda Sam Neill), com os ciganos, tentando passar a perna no maior negociante de corridas de Londres, avançando sempre a cada temporada de território para os negócios (como se fosse um tabuleiro de War), Peaky Blinders envolve o espectador a todo instante, méritos do showrunner Steven Knight e de toda a competência dos artistas envolvidos nessa belíssima produção de época.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...