Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #155 - Jô Laps


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, de Blumenau. Jô Laps tem 50 anos (mas mente de 27). Jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, por 20 anos trabalhou na editoria de cultura de dois importantes jornais catarinenses e hoje atua como freelancer. Sempre foi apaixonada por cinema e desde 2009 produz conteúdo para blogs sobre o tema. Sua terceira e atual aventura nesta área é o blog/IG @cinematograficas, espaço onde dá dicas de filmes e séries. Tem um gosto bem eclético e curte tanto filmes-cabeça quando superproduções de heróis. Cinema, para ela, é mais que passatempo, é uma necessidade.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Acredito que seja o Arcoplex por, eventualmente, abrir espaço para produções fora do circuito (como no Festival Varilux de Cinema Francês). Mas a diversidade é um problema por aqui. Normalmente nos três cinemas da cidade (temos ainda GNC e Cinépolis), a programação é praticamente a mesma e não chegam muitos filmes fora do circuito.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

O Campeão, de Franco Zefirelli. Eu tinha 10 anos na época e lembro de ter ficado surpresa por ver todo mundo saindo do cinema aos prantos.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Difícil escolher um só, admiro vários, mas vou de Quentin Tarantino (com Pulp Fiction) e Tim Burton (com Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas).

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Impossível não responder Cidade de Deus. O motivo é que é perfeito, do roteiro à fotografia, das atuações desconcertantes à trilha sonora. De encher nosso peito de orgulho. Já assisti mais de 10 vezes e sempre me surpreendo.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

É uma necessidade. Respiro cinema. Acordo e vou dormir pensando em filmes. Sonho com cinema também. É algo que, sem dúvida, faz a minha existência mais feliz.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Creio que não. A programação segue o apelo popular. Por aqui, pelo menos, raramente estreia algo fora do grande circuito.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Espero que não. Mesmo com tantas opções de streaming, nada se compara à magia da sala escura e da tela grande.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

A Grande Beleza, do Paolo Sorrentino. É belíssimo!

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Bom, já abriram em várias cidades no momento, mas acho muito arriscado. Eu, pelo menos, por mais saudade que esteja sentindo, não vou pagar para ver.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Acho que estamos nos reinventando, encarando novos gêneros e saindo do lugar comum. O problema, a meu ver, é que só as comédias acabam se destacando nas bilheterias.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Vou ser obrigada a citar dois: Selton Mello e Rodrigo Santoro.

 

12) Defina cinema com uma frase:

Seguem duas:

“Quanto mais velho eu fico, mais vejo os filmes como milagres”, Steven Spielberg.

“Cinema é a fraude mais bonita do mundo”, Jean-Luc Godard.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Uma cena inusitada foi ver várias pessoas saindo da sala antes da metade de Blade Runner 2049. Ok que o filme é longo e um tanto contemplativo, mas desistir assim fácil?

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Não assisti, mas estou chegando à conclusão de que perdi uma obra-prima, é isso?

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Não necessariamente. Acho que um diretor precisa antes de mais nada dominar a técnica, mas creio que ter boas referências contribua para que o trabalho fique melhor.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Um Copo de Cólera. Achei chatérrimo. Foi o único filme que me fez sair do cinema no meio da sessão.

 

17) Qual seu documentário preferido?

Desculpa, mas vou citar dois de novo: One Strange Rock (tem cenas incríveis) e What Happened, Miss Simone?, sobre a insuperável Nina Simone. Ambos da Netflix.

 

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão? 

Em Vingadores: Guerra Infinita.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

Adaptação, do Spike Jonze, sem dúvida. Mas gosto muito dele também em Os Vigaristas, do Ridley Scott, e em Vício Frenético, do Werner Herzog. Na real, sou fã do cara, mas ultimamente está difícil defendê-lo.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Omelete e IMDB são indispensáveis.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...