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E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #551 - Rafael Argemon


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nosso convidado de hoje é cinéfilo, de São Paulo. Rafael Argemon é jornalista e crítico de cinema com pouco mais de 20 anos de carreira. Atualmente toca o perfil O Cara da Locadora (@caradalocadora) no Instagram e é Repórter Especial no site Tangerina (que estreia em janeiro de 2022).

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Cinemateca, Cinisesc e IMS (Instituto Moreira Salles. Infelizmente, a Cinemateca, como todos sabemos, está fechada e sucateada por conta deste governo horroroso. Já a sala do IMS está fechada desde o começo da pandemia e ainda não reabriu. Ou seja, atualmente, a melhor opção é o Cinesesc. O Cinesesc traz uma série de mostras/festivais, sessões especiais e uma programação que foge do normal do circuitão.

 

2) Qual o primeiro filme que você  lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Uma sessão que me marcou muito no cinema foi a de Os Intocáveis. Eu tinha 11 anos. Não era lá uma idade muito adequada para ver Os Intocáveis, né. Mas foi inesquecível. Vi em uma sala imensa na minha cidade natal, Santos, o Roxy. É o único cinema de rua que ainda sobrevive lá, mas o que naquela época era uma sala só, gigantesca, se transformou em um "multiplex" de umas quatro salas. O público aplaudiu de pé o filme no final e aquilo me marcou muito. Foi uma experiência de histeria coletiva que eu nunca tinha sentido antes.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Sergio Leone. Três Homens em Conflito.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

O Assalto ao Trem Pagador (1962). Sei que não é o melhor filme brasileiro de todos os tempos, mas é o meu preferido. Acho que até hoje é o filme que melhor retrata o Brasil em todos os sentidos.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

É amar cinema sem restrições. Não importa gênero, país de origem, se é mais voltado ao puro entretenimento ou mais cabeção.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece  possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

As salas que não são de rede (com pouquíssimas exceções, pois ainda existem cinemas de rua com programação mais "comercial" em SP), sim. Mas elas não são maioria. Mesmo assim, há, além das que eu já citei (Cinemateca, Cinesesc e IMS), o Centro Cultural Banco do Brasil e Centro Cultural São Paulo. Pena que essas duas últimas possuem salas muito ruins, Ou apertada demais, ou com cadeiras ruins, som não tão bom, essas coisas.

 

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Não acredito nisso. Podem diminuir drasticamente em quantidade. Eu digo "podem". É só um palpite. Mas acabar, duvido. Há muitas outras alternativas além de apenas exibir lançamentos.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Um Plano Simples (1998)

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Mas já temos vacina. Aliás, mais do que uma.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Tem a mesma qualidade do cinema de qualquer outro país. Cinema é cinema em qualquer lugar.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

João Miguel

 

12) Defina cinema com uma frase:

Cinema devia fazer parte da cesta básica.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema

Não foi algo que eu presenciei em um cinema, mas... Fui com um amigo em uma exibição (no mínimo) diferente em uma edição da Virada Cultural de São Paulo. De Nosferatu (1022), musicada ao vivo, em um cemitério. Detalhe: esse amigo estacionou o carro dele, sem querer, em cima de uma macumba. Estamos bem.

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Não é uma obra de arte, mas já vi filmes bem piores. É divertido, pelo menos. E isso é muita coisa.

 

15) Muitos diretores de cinema  não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Não precisa. Referências demais às vezes atrapalham mais do que ajudam.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Sinédoque, Nova York (2008) e Mãe! (2017). Não consigo decidir qual é o pior.

 

17) Qual seu documentário preferido?

 

Um Homem com uma Câmera (1929)

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão? 

Sim. Levado pelo frenesi coletivo daquela sessão de Os Intocáveis que eu falei antes.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

Coração Selvagem (1990)

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

IndieWire

 

21) Qual streaming disponível no Brasil você mais assiste filmes?

HBO Max

 

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