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Crítica do filme: 'Grão' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2026]


Com um personagem central que percorre seus dias na solidão de pouquíssimas oportunidades, a bordo de um carro de quase 20 anos equipado com som de proibidões nas alturas e preso à roleta russa do destino, o curta-metragem Grão, exibido na seleção da 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, aborda, em sua essência, o trabalho informal e as desilusões do buscar a sobrevivência à margem da sociedade.

Se sustentando da venda ilegal de soja, recolhendo grãos encontrados entre produtos que se extraviam com o vai e vem dos transportes, o protagonista é um jovem invisibilizado por sua condição, bem distante de qualquer sonho que persegue seu pensar, estagnado na solidão de encontrar soluções para sobreviver. Vivendo no sul do Brasil, uma das principais regiões produtoras do produto mencionado, o personagem começa a perceber que precisa encontrar novas soluções para continuar sobrevivendo.

Dirigido por Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, o interessante projeto - com cerca de 20 minutos - coloca em evidência um drama pessoal e a relação com um dos principais produtos que está no epicentro da economia agrícola do nosso país, uma junção que logo chega em reflexões sobre nossa sociedade. As críticas que chegam pelas entrelinhas juntam as peças para expor a escassez de oportunidade e a luta para existir dentro de um cenário de total exclusão.

Grão, em sua narrativa fluida, não dificulta a compreensão, situa o público sobre seu discurso e apresenta, através de uma única perspectiva, um contexto importante para levantar questionamentos sobre as formas de exclusão de afetam muitas pessoas.

 

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