Com um personagem central que percorre seus dias na solidão de pouquíssimas oportunidades, a bordo de um carro de quase 20 anos equipado com som de proibidões nas alturas e preso à roleta russa do destino, o curta-metragem Grão, vencedor do prêmio da crítica na 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, aborda, em sua essência, o trabalho informal e as desilusões do buscar a sobrevivência à margem da sociedade.
Vivendo da venda ilegal de soja, recolhendo grãos encontrados
entre produtos que se extraviam com o vai e vem dos transportes, o protagonista
é um jovem invisibilizado por sua condição, bem distante de qualquer sonho que
persegue seu pensar, estagnado na solidão de encontrar soluções para sobreviver.
Vivendo no sul do Brasil, uma das principais regiões produtoras do produto
mencionado, o personagem começa a perceber que precisa encontrar novas soluções
para continuar sobrevivendo.
Dirigido por Gianluca
Cozza e Leonardo da Rosa, o
interessante projeto - com cerca de 20 minutos - coloca em evidência um drama
pessoal e a relação com um dos principais produtos que está no epicentro da
economia agrícola do nosso país, uma junção que logo chega em reflexões sobre
nossa sociedade. As críticas que chegam pelas entrelinhas juntam as peças para
expor a escassez de oportunidade e a luta para existir dentro de um cenário de
total exclusão.
Grão, em sua
narrativa fluida, não dificulta a compreensão, situa o público sobre seu
discurso e apresenta, através de uma única perspectiva, um contexto importante
para levantar questionamentos sobre as formas de exclusão de afetam muitas
pessoas.
