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Crítica do filme: 'I Wanna Dance With Somebody - A História de Whitney Houston'


O eterno desejo de dançar com alguém que amamos. Dirigido pela cineasta norte-americana Kasi Lemmons (do elogiado Harriet - O Caminho para a Liberdade), I Wanna Dance With Somebody - A História de Whitney Houston é um filme homenagem, uma celebração à todos os fãs da espetacular cantora norte-americana Whitney Houston que faleceu de maneira triste e precocemente mais de uma década atrás. Dito isso, a narrativa, aqui no sentido de como é contado tudo que assistimos, busca mostrar uma história por meio das canções e se enrola completamente, sumindo com a magia do ponto mais alto de tensão numa narrativa aguardado ansiosamente por quem vai assistir sobre um filme da cantora conhecida como ‘A Voz’. Parece que estamos ligados na antiga MTV, vendo clipes musicais sem parar deixando lacunas a todo instante pelo caminho sem encostar na profundidade. No papel principal, a competente atriz britânica de 31 anos Naomi Ackie, que inclusive já venceu um BAFTA TV Awards por seu papel em sete episódios no seriado The End of the F***ing World.


Na trama, conhecemos Whitney Elizabeth Houston (Naomi Ackie), uma jovem nascida em Nova Jérsei, que desde cedo frequentava o coral da igreja do bairro onde morava com sempre com sua mãe ao lado Cissy (Tamara Tunie). Durante uma apresentação em um modesto bar, seu destino cruza com o do influente na área musical Clive Davis (Stanley Tucci) com quem logo assina seu primeiro contrato profissional. O início já é arrebatador e o sucesso chega de forma meteórica. Ao longo do tempo vamos acompanhando momentos chaves da vida da protagonista, sua íntima relação com a amiga Robyn (Nafessa Williams), seu relacionamento conturbado com o pai John Huston (Clarke Peters), seu casamento com o também cantor Bobby Brown (Ashton Sanders) e suas recaídas no universo do álcool e drogas.


Como afastar as tristezas se para ela tudo tinha sido feito certo até o momento. O filme se afasta de qualquer profundidade quando não busca refletir sobre as intensidades dos conflitos que cercaram a trajetória da cantora. Até começa dando esperanças em atingir além da superfície já com um abre alas mostrando a relação com a melhor amiga e também interesse amoroso Robyn. Mas aos poucos vamos entendendo que o roteiro foca na força das canções e esquece a história. Tinha tanto para se aprofundar... seja com as desconfianças com o pai, a relação pouco explorada no filme com a mãe (figura importante pra sua iniciação vocal), o conturbado relacionamento com o marido Bobby Brown, algo que volta e meia aparecia nas capas de algumas revistas sensacionalistas da época, ganha seu momento já rumando para os arcos finais que fez questão de não mostrar o desfecho triste de Whitney mas sim relatar algumas horas antes do fatídico dia.


Contar uma história tão complexa, de altos e baixos, e com alta exposição na mídia (como foi durante toda a carreira da homenageada) não seria algo muito fácil. O roteiro assinado por Anthony McCarten, indicado já para dois Oscars na carreira, na categoria roteiro adaptado (Dois Papas e A Teoria de Tudo) naufraga por caminhar na superficialidade, por não encontrar a força para se chegar a algum clímax de um filme que tem cerca de 95% de suas cenas com músicas utilizando o processo de sonorização de uma gravação prévia de trilha sonora (o playback) com a voz da Whitney Houston. E falando sobre curiosidade, Kevin Costner (o eterno Guarda-Costas) e Oprah marcam presença por imagens de arquivo.



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