Pular para o conteúdo principal

Pausa para uma série: 'Chad Powers'


Nascido de uma pegadinha feita anos atrás pelo ex-jogador da NFL Eli Manning – vencedor de dois super bowls – para uma série documental da ESPN, o personagem fictício Chad Powers ganhou uma inesperada série – e muito interessante, por sinal. No papel principal, o ator Glen Powell – em ótima atuação - dá vida a um homem frustrado em busca do recomeçar. Com seis episódios em sua primeira temporada, a série convence ao transformar uma fórmula batida - que tinha tudo pra dar errado - em um verdadeiro touchdown!

Russ Holliday (Glen Powell) era uma polêmica estrela do futebol americano universitário quando, em um jogo decisivo, comete uma gafe - pior que um gol contra - ficando marcado nos anos seguintes pela jogada bizarra. Sem conseguir alcançar seus objetivos e completamente perdido na vida, ele resolve apostar todas suas fichas ao se disfarçar de Chad Powers: um jovem tímido e um jogador brilhante, conseguindo uma vaga em um time que só acumulava derrota antes de sua chegada. Para manter o disfarce, conta com a ajuda do novo amigo Danny (Frankie A. Rodriguez).

Com um episódio melhor que o outro – com um total de seis nesta primeira temporada – Chad Powers parte dos absurdos de uma ideia para construir ótimas reflexões sociais. O caminho que liga esses pontos é a vida conturbada de seu protagonista: um egocêntrico com problemas de relacionamento com o pai, um canastrão que chama a atenção por onde passa por suas atitudes inconsequentes. Um prato cheio para a narrativa se aprofundar e abrir diversas camadas, driblando uma possível complexidade emotiva com um humor bem particular – às vezes provocativo - expondo verdades incômodas.

O renascimento emocional do personagem é um enorme trunfo. É nesse ponto que a comédia estaciona e abre espaço para profundas camadas de emoção – sem resoluções triviais, onde a inconsequência encontra o abismo conflitante das lições. Mesmo com apenas poucos episódios na sua temporada inaugural, escancarasse portas para um longo desenvolvimento desse personagem, que bebe da fonte de ‘Uma Babá quase Perfeita’, mas segue por outros caminhos.

Um fator que pode ajudar essa produção a se tornar o novo queridinho do público é a carona que se pega no sucesso do principal esportes dos norte-americanos: o Futebol Americano. O crescimento da NFL – nome da liga profissional desse esporte nos Estados Unidos – é capaz de ser acompanhado em todo o mundo, especialmente no Brasil, um dos maiores mercados, com transmissões semanais na própria Disney +. Não é à toa que depois de dois anos consecutivos com jogos do campeonato em São Paulo, ano que vem haverá uma partida no maior palco da bola redonda: o Maracanã!

Chad Powers cumpre mais do que promete, mesmo não sendo tão brilhante na sua primeira jornada quanto Ted Lasso – outra série que, a partir de um esporte, chega-se em camadas profundas. Liderado por uma atuação marcante de Glen Powell, essa série dribla alguns lapsos de baboseira e transforma uma situação bizarra em algo realmente marcante. 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...