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Crítica do filme: 'Promoção do Século'


O que nos aguarda nosso destino? Baseado em quase inacreditáveis fatos reais e ambientada em agosto de 2017, o longa-metragem argentino Promoção do Século nos apresenta um peculiar personagem em total declínio na carreira que resolve apostar toda sua credibilidade restante em uma ideia pra lá de inusitada que envolve uma empresa do ramo eletrônico e a maior paixão nacional dos nossos hermanos. Dirigido por Ariel Winograd com roteiro assinado por Patricio Vega o filme que apresenta detalhes da jogada que ficou marcada na história do marketing argentino é protagonizada pelo experiente ator argentino Leonardo Sbaraglia e está disponível na Paramount Plus.


Na trama, conhecemos Álvaro Torres (Leonardo Sbaraglia) um homem metódico, óbvio, previsível, que parece não se atualizar mesmo trabalhando no dinâmico universo do marketing. Ele, não se sabe ainda porquê, é um dos gerentes criativos de uma empresa chamada Noblex que entre outros eletrônicos busca soluções para melhorar as vendas de suas televisões. Certo dia, já no limite de conflitos não só na vida profissional mas também na pessoal, ele acaba tirando da cartola uma ideia inusitada: aproveitando a onda de descontentamento com a seleção argentina de futebol, que na época dessa ação que se segue era quinta colocada nas classificatórias para a Copa do Mundo de 2018, ele sugere que caso a Albiceleste não se classifique para a Copa a empresa devolveria o dinheiro das televisões da marca para os que comprassem durante determinado período. A ação dá muito certo, muitas televisões são vendidas, só que a seleção argentina, a cada jogo que passa, corre mais riscos de não se classificar, levando Álvaro a uma enorme pressão.


Preso em teorias de auto ajuda, o protagonista se mostra um perdido em seu próprio cotidiano e entendermos ele por esses conflitos faz todo sentido. Passando por uma crise de meia idade, com medo de fazer exames, buscando de forma atrapalhada reunir os cacos de uma separação com a ex-esposa que ele nunca aceitou por completo, com uma distância cada vez mais notória no diálogo com o único filho e na mira de outros do seu trabalho que farejam sua incompetência a cada nova frustrante ideia, Álvaro está em colapso reprimindo e negando as emoções. Quando, por um lapso, um acaso do destino, tem a ideia conectando um produto à maior paixão nacional do argentinos, igual a de nós brasileiros, o futebol, o protagonista com o espírito vitorioso de volta tenta abandonar a obviedade e driblar a iminência. A narrativa se mantém a observação total à ele deixando subtramas apenas na superfície de seus desenrolares.


Rodado todo em Buenos Aires, Promoção do Século não é nenhum Mad Men, mas cumpre seu objetivo de refletir sobre a capacidade do ser humano em pensar criativamente em meio à batalha pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional, até mesmo quando o próprio detentor de uma brilhante ideia não acredita muito em si. Parece não fugir muito da realidade de muitos por aí...não é verdade?



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