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Crítica do filme: 'Roteiro para uma Fuga’ [Mostra de Cinema de Tiradentes 2026]


Com um ar filosófico e pulos de um existencialismo abraçado na narrativa, o curta-metragem pernambucano Roteiro para uma Fuga levanta questões de identidade e automaticamente simbolismos e razões que constroem um existir. Com direção e roteiro de Priscila Nascimento, esse filme aposta na delicadeza caminhando a curtos passos pelas angústias e a busca por sentidos, revelando-se uma investigação sugestiva pela própria história de uma narradora – figura viva e observadora na narrativa.

Nesse projeto, selecionado para a 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, não há nada de inovador quando pensamos em linguagem cinematográfica, mas o seu modo de contar essa história - direto e simples - encontra atalhos para tornar atraente ao público as imposições do que é incontrolável – também conhecido como obstáculos pelo caminho. Uma boa definição da obra é: um filme fácil de digerir e que pode convidar à reflexões.

Com imagens que passam pelo tão falado São Luiz, um dos cinemas de rua mais charmosos e amados pelos cinéfilos de todo o Brasil, e outros lugares que se ligam a lembranças e experiências que representam dilemas, logo se chega também em analogias através de conhecidos filmes. Com uma narração que impõe intimidade, acompanhamos o surgimento de questões que envolvem família, amor, trabalho - elementos que vão de encontro ao medo das repressões sociais.

Enfatizando a certeza de que o contexto molda uma trajetória de vida, o filme desvendar um olhar para o processo de criação de histórias, na aproximação com as vivências e as relações encontradas pelos caminhos percorridos. Nesses questionamentos profundos, que lidam com dúvidas a todo instante, a única certeza que permanece é que o filme de nossas vidas é uma página de roteiro sempre à espera das próximas linhas.

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