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Crítica do filme: 'Amém: Perguntando ao Papa'


A fraternidade é inegociável. O que você perguntaria ao líder da igreja católica se tivesse a oportunidade de estar frente a frente com ele? No documentário da Star Plus, Amém: Perguntando ao Papa, jovens entre 20 e 25 anos, católicos e não católicos, com experiências de vida diversas, praticantes da língua espanhola, tem a chance de conversar com uma das pessoas mais influentes do mundo em um bate-papo franco, honesto, sem deixar de navegar em temas conflitantes, polêmicos. Longe dos muros do Vaticano, já que o papo ocorreu em um bairro de Roma chamado Pigneto em junho do ano passado, a roda de conversa vai da questão da migração, passando pelo aborto, pela identidade de gênero e orientação sexual, até os abusos na igreja, entre outros temas.


Quem julga é incoerente. Ao longo de pouco mais de uma hora, em relatos, muitas vezes emocionantes, os jovens vindos de países como: Espanha, Senegal, EUA, Perú, Colômbia, Argentina, abrem o coração ao Papa buscando uma fonte de reflexão sobre angústias que sentem em relação a muitos temas. A maior autoridade católica, conhecido por seu bom humor, aborda no início do papo a diminuição dos adeptos católicos em todo mundo, algo que pode estar ligado ao passado da igreja no epicentro de colonizadores, além do fato da igreja católica durante muito tempo não assumir tudo o que houve nesse tempo. Depois, emenda sobre a imigração, principalmente nas fronteiras europeias, com duras críticas em cima de uma ação política imatura adotada por muitos países (que ele não citou) quando se pensa sobre o tema.


A formação religiosa, em alguns casos, é baseada em abuso psicológico? Entrando nessa tensa questão vemos o relato de uma jovem, ex-freira, que não se sentia mais feliz no convento e abandonou tudo e foi viver a vida longe das rédeas da igreja. Hoje inclusive namora uma outra mulher. E em falar em abuso, os padres abusadores ganham os holofotes via um depoimento emocionado de um jovem que foi abusado por um desses integrantes da Igreja Católica e sua indignação pela forma como a igreja lidou com a questão.


A sexualidade, o sexo, a identidade de gênero, o aborto, são temas que os jovens mais interagem com Francisco, principalmente esse último onde percebemos uma choque de experiências de vida em um embate entre uma feminista declarada e uma fiel fervorosa. Dentro da proposta desse encontro, com o objetivo de aprendizado mútuo, existem momentos um pouco mais tensos, onde os pontos de vistas se encontram em extremos difíceis de se encontrarem mas com um certo respeito, afinal, todos nós somos filhos de Deus.


Há um momento com espaço para reflexões sobre os avanços das interações digitais, nessa linha principalmente ligados à comunicação, com a chegada das redes sociais. Nesse momento, Papa Francisco é confrontado até mesmo sobre o Tinder e o que achava do aplicativo. Esse ponto sobre redes sociais e a questão da moralidade, mais especificamente sobre as escolhas quando se usam esses dispositivos ganham luz no debate.


O papa é pop! Com 86 anos, já com a mobilidade reduzida, Papa Francisco, sucedeu o Papa Bento XVI cerca de 10 anos atrás. Amém: Perguntando ao Papa é a constatação do valor de um homem que provocou uma verdadeira mudança em relação a tabus que circulavam ao redor da Igreja católica, que com a cabeça mais aberta do que a de seus antecessores, participa de diálogos frequentes, sempre com respeito ao próximo, aberto a ouvir a todos provocando reflexões e mudanças.



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