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Crítica do filme: 'Supernova'


As dores incuráveis de uma tragédia. Numa região remota, em uma estrada de pouco movimento, uma mulher em fuga com os dois filhos estão prestes a serem o centro de uma situação dolorosa onde o espectador enxerga os fatos a se seguirem através da visão de três personagens. Alcoolismo, machismo, egoísmo, o desespero, são alguns dos elementos que envolvem a forte narrativa. Escrito e dirigido por Bartosz Kruhlik o longa-metragem polonês busca suas reflexões através do exato momento onde o inesperado encontra o destino.


Na trama, conhecemos Iwona (Agnieszka Skibicka), uma mulher que já não aguenta mais as terríveis crises familiares provocadas pelo vício em álcool do marido Michal (Marcin Zarzeczny) e resolve fugir de casa, que fica numa comunidade rural, andando estrada a dentro com os dois filhos do casal. Nessa fuga, uma tragédia acontece, fazendo com que a vida desses dois personagens se cruzem com o arrogante Adam (Marcin Hycnar) e do policial Slawek (Marek Braun).


Em uma reunião de emoções dolorosas, o projeto tem o mérito de traçar um enorme e cirúrgico raio-x de alguns personagens que são os pontos de vistas principais sob o calor emocional de uma traumática situação. Assim, conhecemos um policial atormentado pela situação que presencia e que esconde um segredo na sua relação com a vítima, um mimado e inconsequente homem de meia idade ligado ao governo e um outro homem que se sente culpado pelos acontecimentos que se seguem. A partir do fato central da trama, um aterrorizante caos é instaurado, sendo imprevisível saber como essa história termina.


A justiça, seus limites e as leis dos homens. Há espaço também para o ponto de vista dos que deveriam lidar com a situação. As autoridades policiais paralisadas, atônitas, na cena do crime se perdem no procedimento e em não saber o que fazer para contornar o ocorrido. A reação pública é imediata quando a fragilidade da justiça se mostra evidente.  


O título, supernova, é uma menção aos novos começos após uma explosão de uma estrela, algo como um ciclo de alguns destinos que durante a vida renascem, vivem e morrem novamente. Um certeiro paralelo que tem tudo haver com o que assistimos ao longo de cerca de 80 minutos de projeção.



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