Pular para o conteúdo principal

Critica do filme: 'Fale Comigo'


Um grupo de amigos. Um artefato macabro. Sessões de possessão que tem tudo pra dar errado. Uma brilhante narrativa que envolve o espectador pra dentro de um intenso clima de tensão. Primeiro longa-metragem dupla de irmãos cineastas Danny Philippou e Michael Philippou, Fale Comigo não reinventa a roda dos filmes de terror mas busca na criatividade e principalmente na análise profunda na construção de seus personagens a força para um longa-metragem que deve conquistar até que não gosta de filmes de terror. O filme, que estreou nos cinemas brasileiros em agosto de 2023, chegou recentemente ao catálogo da Prime Video.

Na trama, conhecemos um grupo de amigos que resolvem se reunir para uma sessão de possessão através de um artefato macabro que chega até um deles. No início já se deparam com terríveis situações e não percebendo o perigo que podem estar correndo resolvem continuar se encontrando e realizando as sessões. Até que um deles, a protagonista Mia (Sophie Wilde) acaba sendo atingida em cheio pela obsessão à situação, abrindo assim uma conexão constante com os seres do outro lado.

Rodado todo em Adelaide, na Austrália, Fale Comigo, refletindo sobre uma geração, bate de frente com espíritos de uma juventude completamente incapaz de enxergar os limites, muitos desses vivendo em bolhas de imaturidade. Todo roteiro que possui o alcance às consequências dos atos já merece destaque. Longe de qualquer simplicidade para mostrar os desenrolares da ação obsessiva de sua protagonista (a história se desenvolve com um foco maior em Mia, brilhantemente interpretada por Sophie Wilde), a narrativa encontra o egoísmo, o trauma, as desilusões, depressão, ciúmes, culpa, atos impensados, de uma forma dinâmica e envolvente.

Chegando com eficiência nos pontos altos de tensão da narrativa, além de ser muito bem filmado, o filme vai causar alguns sustos. Essa imersão à tensão é a prova de que Fale Comigo consegue seu objetivo que é fazer refletir sobre os limites dentro de uma juventude imatura sem se esquecer do entretenimento que o cinema pode proporcionar. Destaque por onde foi exibido, esse longa-metragem australiano está disponível na Prime Video. Ah! Se vai ter continuação não sabemos. Há margem para tal.


Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...