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Critica do filme: 'Para não ser levada por qualquer ventania' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2026]


Impressionante como, em apenas sete minutos, uma obra consegue ser tão profunda e criativa ao mesmo tempo. Articulando as diversas potencialidades da linguagem, tendo apenas ligações telefônicas feitas a um alguém especial que já se foi e de uma série de cenários sob um olhar distante e aleatório, o curta-metragem Para não ser levada por qualquer ventania apresenta o luto como tema principal de uma narrativa que se sente e convoca reflexões.

Selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, o projeto escrito e dirigido por Eleonora Loner utiliza poucos recursos e, ainda assim, consegue alcançar o brilhantismo de uma mensagem por meio de uma ideia simples e eficiente. Filmagens caseiras - provavelmente feitas por câmeras de celulares – tornam-se nossos elos com os mistérios de algumas conversas que, a princípio, não entendemos direito sobre o que se trata, mas que vamos entendendo aos poucos seu sentido.

A necessidade do afeto, o desejo de não perder as lembranças, as aflições da ausência, e até mesmo o silêncio que se torna ensurdecedor são pontos chaves para decifrarmos as mensagens que a obra produz chegando diretamente ao conjunto de reações que o luto provoca. Esse sentimento de vazio logo vira uma dedicatória poética, avançando por um percurso de ressignificação.

Ao dividir com o público essa história, de maneira corajosa, Loner expõe suas dores, desejos e tormentos, através também do vazio que ficou. Nessa ebulição do silêncio - um ponto marcante na obra -, todos nós ganhamos, de alguma forma, razões para pensar sobre nossas próprias histórias e nossos próprios silêncios deixados por alguém que já se foi.  

  

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