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Crítica do filme: 'A Linha'


Um longo caminho para o perdão. Com um slow motion tenso como abre alas, algo que fortifica um importante detalhe do momento de alto clímax ao longo da narrativa, o longa-metragem francês A Linha, indicado ao Urso de Ouro em Berlim em 2022, busca uma profunda análise dentro do que acontece entre quatro paredes de uma família disfuncional onde o antes, o agora e o depois parecem interligados por um reflexo de relações conturbadas. Dirigido pelo cineasta francesa Ursula Meier, o filme, todo rodado todo em Port-Valais, na Suíça, dilacera aos olhos do público a angústia da culpa e do arrependimento por meio de vários personagens em uma narrativa detalhista.

Na trama, conhecemos Margaret (Stéphanie Blanchoud), uma jovem que vive de trabalhos informais pela comunidade onde mora e com um passado recente ligado à música. Certo dia, vira autora de um ataque violento contra sua mãe Christina (Valeria Bruni Tedeschi) que é sentenciada pelas autoridades de justiça a ficar no mínimo 100 metros dela durante alguns meses. A partir disso, uma série de conflitos familiares tomam conta da história dessa família com integrantes completamente instáveis emocionalmente precisando conviver com a situação imposta pelo destino.

As dores físicas refletem as emocionais. Há muitas coisas embrulhadas, não resolvidas, no passado dessa família e esse ponto é a base de construção da narrativa que provoca alguns vai e vém através de memórias ditas, personificadas por um presente caótico que encosta na irresponsabilidade, na imaturidade, nas dores, arrependimento e até mesmo na esperança. A opção de se desenvolver essa narrativa através do ponto de vista das irmãs é acertada, não chegando a ser um olhar de fora mas não distante do epicentro do principal conflito.

Angustiante em muitos momentos, o projeto possui alguns elementos que ajudam a ampliar o leque de percepções. A fé é um fator que chega através de uma jovem personagem, uma das irmãs, Marion, (interpretada pela excelente atriz Elli Spagnolo), que dominada de incertezas se vê presa conflitos. A esperança chega pela outra irmã, Louise (India Hair), grávida de gêmeos, parece querer ser alheia aos conflitos que se jogam em sua frente mas busca ser uma ponte para a chegada do equilíbrio. A direção de Meier é fundamental para uma condução dentro de uma linha emotiva, onde as inconsequências viram as chaves para muitas das questões abordadas.

Nesse longo caminho para o perdão, seu ponto alto explode no embate entre a primeira filha e sua mãe. A filha que parece sem rumo, explosiva e longe de qualquer equilíbrio se descontrói a partir do baque de uma sentença. A mãe é sua instabilidade, relembra o antes com mágoa associando o declínio da carreira com a chegada da primeira filha. Aqui o passado pesa, viram lacunas preenchidas pelo presente deixando em aberto qualquer caminho para um futuro. É possível perdoar? É possível se entenderem? Essas são perguntas que o espectador vai tirar conclusões a partir de um desfecho repleto de significado.

Pra quem interessar, o filme está disponível no catálogo da Reserva Imovision.


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