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Crítica do filme: 'Todo Tempo que Temos'


O cinema, entre seus muitos pontos de observação e consolidação de uma obra, consiste numa harmonia entre discurso e narrativa. Exatamente esse é o problema de 'Todo Tempo que Temos' que busca a emoção pelas linhas do roteiro e se perde na melancolia de uma trama que se esconde numa não linearidade constante que deixa mais peças em inércia do que as que chegam como soluções. A direção é do cineasta irlandês John Crowley. 

Na trama acompanhamos Tobias (Andrew Garfield) um jovem recém divorciado que de forma inusitada - após ser atropelado - acaba conhecendo a chef de cozinha Almut (Florence Pugh). Ao longo do tempo um intenso amor acontece entre os dois até que por circunstância do destino ela é diagnosticada com uma terrível doença. Precisando lidar com a situação, ambos buscam aproveitar ao máximo o tempo que tem. 

De forma não linear, a história anda por uma linha temporal que busca importantes recortes dessa relação. As dúvidas sobre a maternidade, as escolhas no tratamento da doença, os desencontros dos primeiros encontros, são alguns dos pontos que volta e meia circulam a trama que carece de um clímax. As cenas emocionantes, dentro da obviedade de uma situação aflitiva que por si só já toca os corações, não escondem as falhas de uma narrativa que não consegue a imersão se rendendo facilmente à melancolia. 

É sobre relacionamentos? É sobre o tempo que temos? Pode ser que algum desses ganchos consiga fisgar parte do público mas não camufla o confuso discurso, principal alicerce que liga um roteiro a construção da história, se encontrando em total apatia, beirando ao desinteressante por grande parte.


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