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Crítica do filme: 'Piano de Família'


Criada pelo dramaturgo americano August Wilson no final da década de 1980, a obra Piano de Família teve várias adaptações no teatro e até mesmo um outro filme feito para televisão. No no finalzinho de 2024 chegou uma nova leitura agora produzida pela Netflix. Dividida basicamente em dois atos, em grande parte do tempo dentro de uma casa, o roteiro bate forte na tecla do legado resgatando também dores e aflições em torno de pensamentos diferentes dentro de uma própria família que tem num piano um símbolo de resistência.

Na trama, ambientada em uma Pittsburgh (Pensilvânia) em meados dos anos 1930, acompanhamos a chegada de Boy Willie (John David Washington) à casa do tio Doaker (Samuel L. Jackson) onde também mora sua irmã Berniece (Danielle Deadwyler). Quando o motivo da chegada de Boy Willie é revelado, uma briga por um piano antigo desencadeia uma série de lembranças e assim vamos conhecendo toda uma história dessa família.  

Contando com grande parte do elenco que também representou seus respectivos personagens na última montagem da Broadway em 2022, o cineasta Malcolm Washington – em seu primeiro longa-metragem como diretor – apesenta uma narrativa que usa da força de seus personagens para preencher os espaços de reflexões. Tudo é muito interessante na atmosfera criada, mesmo com as limitações que possa vir a existir por entender a importância de uma base no mecanismo teatral se juntando as infinidades de uma obra cinematográfica.

O ritmo chega pelos intensos e constantes diálogos, pela presença em cena e também da importância de reflexões sobre a sociedade. Assim, as dores dos ancestrais revividas por um embate entre dois irmãos abre leques onde até mesmo o sobrenatural encontra um gesto de simbolismo. Conforme vamos entendendo todos os caminhos dessa história percebemos a bela construção dos personagens com toda carga emocional provocada também por lembranças.

Essa obra vencedora do Prêmio Pulitzer de Drama se tornou atemporal e as inúmeras montagens, seja no teatro ou no cinema, só fortalecem os olhares para essa história. Piano de Família pode ser indicado para alguma categoria no próximo Oscar. Será merecido.


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