Lançando luz sobre um clássico jogo de espionagem que se molda através de uma configuração familiar com seus segredos, chegou de mansinho à Netflix Unfamiliar, uma série alemã de seis episódios, com um recheio generoso de personagens ambíguos, traições, segredos, amantes e reviravoltas – daquele tipo que prende a atenção e dá vontade de maratonar.
No aniversário de 16 anos da filha, dois agentes da BND (Serviço
Federal de Inteligência da Alemanha) dado como mortos - Meret (Susanne Wolff) e Simon (Felix Kramer) - são contatados por um
homem misterioso. Esse primeiro movimento daria início ao caos na vida do
casal. A ligação com uma missão realizada uma década e meia atrás na Bielorrússia
– e todos os mistérios que a cercam – é o ponto de partida para chegarmos em
revelações importantes, desencadeando uma cadeia de ações e consequências.
Criado por Paul
Coates, a trama, que se desenrola toda em Berlim, é bem amarrada e
atravessa aos poucos os segredos do passado, que se tornam peças importantes
dos conflitos do presente. O uso do flashback – um elemento bem utilizado em
‘voltas ao passado’ – é moderado, preservando a fluidez da narrativa sem
desacelerar o ritmo.
Separando muito bem – e encontrando atalhos para criar
paralelos – entre o conflito familiar e o caos que se instaura no lado
profissional dos personagens, esse projeto surpreende a cada novo episódio, um
melhor que o outro. Tudo começa bem embaralhado, principalmente com o episódio
piloto que apresenta as primeiras pistas sem muitas explicações. Mas, a partir
do segundo capítulo, a narrativa ganha um equilíbrio, com fatos marcantes que
nos prendem à história.
‘Desconfiança’ é uma palavra bastante lembrada quando
percebemos sobre o que é essa trama. O discurso do roteiro se constrói em cima de
um casal de espiões precisando superar conflitos como família provocados por
ações de anos atrás - até mesmo para tentar salvar seu casamento. À medida que
esse contexto se expande, a manipulação, a vigilância, as alianças na corda
bamba e a velha conhecida ambiguidade moral começam a aparecer nos episódios.
Pra quem curte uma boa obra sobre espionagem, Unfamiliar é uma escolha certeira.
Mesmo com seu final totalmente aberto – que remete à iminência de uma segunda
temporada – vale a pena embarcar nessa história, que deixa um leve gostinho de
quero mais.
