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Crítica do filme: 'Pietro' (Festival do RJ 2013)


Como um filme pode ensinar e sensibilizar tanto em alguns poucos minutos? Dirigido pelo estreante Hsu Chen, Pietro é um daqueles trabalhos que ficam presas em nossas memórias durante muito tempo. Com simplicidade e muita força de vontade, Hsu roteiriza, produz, dirige e banca do próprio bolso essa deliciosa caixinha cheia de surpresas encantadoras que é Pietro. A ternura com que é apresentada as ações dos personagens conquistam o público logo no primeiro olhar do protagonista.

Na poesia do viver conhecemos um senhor de idade avançada, humilde que vive dedicado quase que exclusivamente ao seu bichinho de estimação. Quando acontece uma pequena tragédia, Pietro, que arrumado parece Freud, tenta fugir da solidão indo a um baile da terceira idade, lá encontra uma nova chance de se reencontrar nesse finalzinho de chama que podemos chamar carinhosamente de vida.

A solidão é o foco da trama que lembra rapidamente os interessantes O Visitante , Lugares Comuns e porque não o ótimo filme de Eric Rocha, Transeunte. O espectador consegue sentir cada emoção passada pelo protagonista, chega a ser uma troca – entre o que se passa na tela e o público – instantânea, natural. Já no desfecho, o público fica com um gostinho de quero mais, é um curta com potencial de longa.

O cenário diz muito sobre o personagem título. As memórias guardadas em uma caixa, o leve balanço das cortinas e a referência de um circulador, talvez indicando novos ventos, tempos, são elementos que compõe o ambiente onde a vida acontece na sua forma mais pura. Essa mensagem é o que nos guia em uma grande partida onde todos saímos ganhando, então, segue o jogo, abra o coração e não deixe de sonhar.



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