Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'A Travessia'

Você não pode mentir no palco, o público sempre saberá o que há em seu coração. Contando uma história real que ocorreu nos Estados Unidos na década de 70 e dirigido pelo craque Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro), A Travessia tem um ritmo eletrizante e uma trilha sonora ótima, empolgante, que lembra certos filmes de ação dos anos 90. No papel principal, Joseph Gordon-Levitt (A Origem), dá vida a um personagem que transborda carisma, interpretado por esse que é um dos melhores atores de Hollywood nos dias atuais.

Na trama, ambientada na década de 70, conhecemos o showmen francês Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) um jovem sonhador, expulso de casa pelo seu pai autoritário, que resolve bolar um plano improvável de realizar uma travessia ilegal por meio de um cabo de aço entre as famosas torres do World Trade Center, em Nova York. Para tal, reúne um grupo de amigos, franceses e norte-americanos que embarcam na loucura do projeto. Pensando em não falhar, resolve também pedir a ajuda ao experiente equilibrista Papa Rudy (Ben Kingsley).

Desfilando com elegância seu francês com sotaque da terra do Tio Sam, Joseph Gordon-Levitt se entrega bastante ao papel. O ato de sonhar é filmado em cada sequência dando uma suavidade próxima a realidade do protagonista. Por mais que muitas características da formação inicial de Petit tenham sido ‘esquecidas’ pelo filme, a partir da obsessão dele em desfilar sua arte pelas torres gêmeas acontece uma marcante sintonia entre o personagem e o público.


A grande sequência do filme, já na corda entre as torres do World Trade Center é espetacular, tem o poder de prender a atenção do público de maneira impressionante. Zemeckis consegue sucesso em um filme que acaba batendo um pouco de frente com um documentário aclamado mundialmente chamado ‘Man on Wire’. Vejam os dois filmes, é um belo complemento! 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...