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Crítica do filme: 'O Esquecimento (Im)possível'

Como filmar o que não existe? O que não tem forma, o que falta? Em busca de preencher lacunas sobre seu pai, um militante argentina em época de ditadura, o cineasta argentino Andrés Habegger tenta recriar os caminhos de momentos importantes da vida desse homem que nunca mais viu desde os 09 anos de idade. O Esquecimento (Im)possível , selecionado para o último Festival é Tudo Verdade, é mais um documentário, um retrato, sobre descobertas através do caos da época em que as ditaduras dominavam alguns países.

Os relatos mais profundos chegam através de um antigo diário repleto de detalhes que Andrés ganhou de seu pai, onde o primeiro registrava histórias de seus dias. Assim, uma espécie de trajetória é pré definida, indo atrás de respostas e reviver alguns passos do pai. Alguns parentes que o conheceram, amigos, lugares onde estiveram, gosto pessoais, curiosidades. Um grande quebra cabeça é instaurado e a cada peça conquistada é uma vitória para esse filho em busca de conhecer verdadeiramente quem foi seu pai.

O Esquecimento (Im)possível, aliás, belo nome de filme, desembarca já em seu último ato no Rio de Janeiro, onde as lembranças dolorosas chegam ao seu clímax pois foi onde o pai do protagonista desapareceu. Sem entender como se filma a ausência, as lindas imagens do Rio de Janeiro e todas as ideias de caminhos que o pai pode ter percorrido se chocam com as realidades de documentos que não dizem muito e  apenas uma esperança de resposta através da Comissão da Verdade.


O documentário em questão levanta mais discussões sobre um tema bastante explorado, a época da ditadura militar. Andrés Habegger consegue criar uma perspectiva diferente, sempre com um olhar emocionado se colocando na posição de um filho que vive com lacunas em seu passado. Nada como um bom filme para que as memórias nunca se esqueçam.

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