Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Duas de Mim'

Marcando a estreia de Cininha de Paula na direção de um longa metragem, Duas de Mim tenta explorar as jornadas dos sonhos e desejos impossíveis passando um raio-x na vida de uma mulher batalhadora que sustenta sua casa praticamente sozinha. A história é puxada para a comédia, onde somos testemunhas de situações exageradas e diálogos pouco inspirados. No papel da protagonista, a conhecida de programas de humor de televisão Thalita Carauta que tem a difícil tarefa de criar o sorriso no rosto do espectador em um duplo papel de si mesma mas com personalidades diferentes. O projeto falha em um roteiro limitado, deixando o esforço de Carauta ser a única luz desse filme sem pé nem cabeça.

Na trama, conhecemos a batalhadora Suryellen (Thalita Carauta), uma mulher com personalidade que acorda cedo para preparar quentinhas que vende em bairros residenciais e depois ainda vai para o outro trabalho em um restaurante chique comandado pela chef e arrogante Valentina (Alessandra Maestrini). A vida d aprotagonista muda radicalmente quando após sofrer dias complicados, encontra em uma rua deserta uma vendedora de bolos misteriosa que a faz provar um bolo que tem o poder de realizar desejos. Assim, quase sem querer, Suryellen ganha uma cópia/clone/si mesmo com outra personalidade, que no começo serve como uma ajuda a cumprir todos os objetivos de seu dia mas que após um tempo vira um grande problema na vida dela.

A fábula não encaixa. Tudo é muito repleto de clichês, usando uma fórmula de riso fácil mas sem um pingo de carisma dos personagens. O desenvolvimento da protagonista não passa da superfície, tudo é muito fácil, coadjuvantes sem qualquer ligação com a trama, diálogos pra lá de tediantes. A dupla jornada da personagem principal, com duas personalidades é uma das coisas mais chatas vistas no cinema brasileiro nos últimos anos. Para completar, subtramas rasteiras, esteriotipadas, como a do ex-marido, representado por Marcio Garcia, e a de seu amigo/namoradinho Chicão, esse último interpretado pelo cantor Latino.


Mesmo com todo o esforço de Carauta para tentar divertir o público, um filme pouco inspirado em seu roteiro não consegue segurar a atenção nem por vinte minutos. Se tivesse o Framboesa de Ouro aqui no Brasil, esse filme seria um dos campeões de indicações.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...