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Crítica do filme: 'Malaika' [Fest Aruanda 2025]


O isolamento para chegar nas linhas da solidão. Um silêncio profundo no início do longa-metragem Malaika já nos transmitia a ideia de que embarcaríamos em uma jornada de deslocamento, com interpretações e sentimentos voltados ao não-pertencimento. Dirigido por André Morais, a obra aposta suas fichas em um recorte sensorial que contempla incertezas e estímulos perceptivos, mas esquece de um ponto importante: a narrativa, que se arrasta pela fabulação sem sustentar de forma satisfatória seus próprios elementos em cena.

Uma jovem albina chamada Malaika chega à escola para o primeiro dia de aula em uma zona rural do interior nordestino, onde logo percebe o ambiente hostil, fruto do bullying de outros alunos. Ela vive com vive com a mãe Isabel, que trabalha para uma família da região. Aos poucos, vai inicia um processo de amadurecimento em uma jornada de autodescoberta.

Sempre com a câmera próximas da protagonista, acompanhando uma movimentação de forma bem próxima, íntima, querendo provocar uma imersão sensorial – até mesmo transmitir subjetividade, o filme conduz suas reflexões por um ritmo contemplativo, sensorial em muitos momentos, indo ao encontro da intensidade dos conflitos que logo se revelam para os personagens.

Contar essa história de uma maneira envolvente era um grande desafio. A narrativa se torna pouco eficaz para o público por conta de conflitos mal conduzidos, misturando suas progressões dramáticas às fragilidades de um roteiro que tem seus méritos, mas não prende a atenção como poderia.

O filme, que teve sua primeira exibição no Nordeste durante o Fest Aruanda 2025, onde concorreu na Mostra Competitiva Sob o Céu Nordestino, parte de um recorte íntimo, de ‘dentro para dentro’ deixando margens para o espectador refletir sobre questões sociais e familiares.

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