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Crítica do filme: 'Where Is Kyra?'


O desespero nos leva a atitudes impensadas. Buscando explorar uma tensão psicológica de uma indecifrável personagem, o competente cineasta Andrew Dosunmu usa e abusa de ótimas técnicas cinematográficas para apresentar toda a transformação de uma mulher perdida no seu ato de viver. Exibido no Festival de Sundance em 2017, Where Is Kyra? é uma viagem dramática, de ritmo bastante contido com destaque para a atuação profunda de Michelle Pfeiffer.

Na trama, conhecemos Kyra (Michelle Pfeiffer), uma mulher de meia idade, bastante sofrida que vive para cuidar de sua mãe com graves problemas de saúde. Quando sua mãe falece, Kyra se vê perdida, desempregada, separada, completamente sozinha no mundo. Buscando emprego em qualquer lugar, e sempre sendo rejeitada, resolve agir pelo inusitado: começa a descontar os cheques de aposentadoria de sua mãe vestida da mesma. A farsa dá certo no início e a sofrida personagem até encontra o amor nos braços do delicado Doug (Kiefer Sutherland) mas logo os problemas voltam com maior intensidade e Kyra precisará fazer escolhas.

A direção é interessante e deixa sua marca. Planos longos, deixando o sofrimento prevalecer em atmosfera delicada. A personagem principal é bastante sofrida e se sente deslocada da sociedade em todos os momentos. Não preparada para viver nas circunstâncias que a vida apresentou, tem um momento de racionalidade vinda de um amor improvável de um homem também em busca de novos caminhos. Com ritmo bastante lento, se sustenta na boa atuação de Pfeiffer.

O roteiro explora a problemática mundial do desempregado e quais as opções que temos para sobreviver, o certo e o errado tem várias portas quando pensamos na ética básica de sobrevivência. O desespero é focado no psicológico de Kyra, completamente afetado pela situação que vive. O grande desafio é como entregar um ritmo satisfatório para chegarmos ao fim dessa longa jornada infernal que vive a conturbada protagonista.

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